Bom Senso acusa cartolas de não respeitarem acordo

Bom Senso acusa cartolas de não respeitarem acordo

Movimento de jogadores diz ter sido pego de surpresa durante reunião com o ministro do Esporte. Dirigente se defendem

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2014 | 18h22

A Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, em tramitação na Câmara dos Deputados, pode demorar mais do que o previsto para ser votada. Bom Senso e clubes, que haviam entrado em acordo para apresentar uma proposta em conjunto, entraram em rota de colisão.

O movimento dos jogadores acusa os dirigentes que não respeitarem o que foi combinado entre as duas partes durante encontro realizado no início do mês, no Rio. Nesta quarta-feira, durante reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rebello, e o secretário de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Toninho Nascimento, os representantes dos atletas dizem que foram pegos de surpresa com o surgimento de uma nova proposta apresentada pelos clubes.

A divergências entre Bom Senso e clubes se concentram basicamente em três pontos: teto para folha de pagamento, implantação de comissão na CBF para fiscalizar as contas dos clubes e prazo para início das punições a quem não cumprir a lei.

O Bom Senso pede que os clubes não gastem mais do que 70% de seu orçamento com o futebol, que a comissão da CBF seja constituída em até 90 dias e que a partir de 2016 comece a valer sanções aos dirigentes.

Já os clubes querem que não seja estimulado limites para pagamento e contratação de jogadores e que a lei entre em vigor apenas 2019. Com relação à auditoria que vai fiscalizar as contas dos clubes, a alegação é que isso cabe à CBF, que solicitou um prazo maior.

“Combinamos com a presidente Dilma Rousseff que chegaríamos a um acordo com os clubes para, a partir daí, o governo ter uma posição sobre o projeto. Apesar desse acordo, os clubes enviaram para o Toninho uma proposta diferente, alterando vários pontos que já estavam definidos. Eles romperam o acordo. Atenderam algumas demandas, mas quebraram outras”, acusa o diretor de estratégia do Bom Senso, Ricardo Borges Martins.

A Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte já foi aprovada em Comissão Especial na Câmara, mas ainda precisa ser votada em plenário para ser encaminhada ao Senado. Com a apresentação de propostas divergentes entre Bom Senso e clubes, a análise do projeto deve ser prorrogada, sem prazo para ser concluída.

“A ideia da reunião com o Ministério do Esporte era apresentar as nossas divergências e motivos para saber uma posição do governo. Mas os clubes alteraram o que foi combinado e não foram à reunião” disse Martins.

Chefe da comissão de clubes, o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, alegou que não pôde comparecer ao encontro desta quarta-feira porque já tinha um compromisso agendado anteriormente e chegou a pedir para o ministério que a reunião fosse adiada. Andrade nega rompimento com o Bom Senso. “Não houve racha. O diálogo com eles tem sido muito bom.”

Segundo o dirigente, o que os clubes apresentaram foram apenas pontos nos quais não houve acordo com os jogadores. “Se essa lei não for aprovada, todos perderão: Bom Senso, clubes e torcida. O que queremos é um prazo maior para nos adaptar porque os contratos em vigência não podem ser rompidos”, diz Andrade.

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