Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bom Senso critica CBF por medida de 'fair play financeiro genérico'

Moldes em que a implementação será realizada desagrada atletas

Estadão Conteúdo

05 Março 2015 | 14h13

A implementação do fair play financeiro anunciada na segunda-feira pela CBF não agradou o Bom Senso FC. Pelo menos não nos moldes em que a medida será instituída. Nesta quinta-feira, o movimento dos atletas divulgou nota criticando a decisão, que chamou de "fair play genérico", como já havia feito com a proposta de refinanciamento das dívidas dos clubes realizada no início de fevereiro.

"Já não fosse bastante sua articulação (da CBF) no Congresso para driblar o Governo Federal e oferecer mais uma colher de chá (sem contrapartidas) à cartolagem, a entidade máxima do nosso futebol aproveitou esta última segunda-feira para reapresentar uma obra-prima da incompetência do futebol brasileiro: o fair play genérico", apontou.

O Bom Senso explicou que não é contra a implantação do fair play financeiro, pelo contrário, acredita que a medida é necessária. O movimento, no entanto, não concorda com os moldes nos quais a proposta será aplicada, já que para haver punição a algum clube os jogadores que estiverem com salários atrasados precisarão entrar na Justiça contra o mesmo.

"A chave do fracasso do fair play genérico (esse já aplicado na Federação Paulista) é sua lógica denuncista: o atleta que estiver com seus salários atrasados precisa entrar com uma ação contra o próprio clube, só assim as punições podem acontecer. Isto é, o atleta que colaborou com o seu clube para conquistar os três pontos, teria que acionar o fair play genérico para que seu clube perca esses mesmos pontos" criticou.

Para o movimento, a experiência na Federação Paulista já condena a aplicação deste fair play financeiro. "O fiasco dessa versão ''cartolística'' de fair play se verifica nos números. Segundo membros da própria Federação Paulista, nos mais de três anos de implementação do modelo, apenas quatro ações foram movidas. Existe alguém que acredite que nos últimos três anos, entre os mais de 100 clubes do estado de São Paulo, houve apenas quatro episódios atrasos de salário?", questionou.

O Bom Senso ainda explicou como gostaria que fosse implementada a medida. "Somos favoráveis a um verdadeiro modelo de fair play financeiro, em que os clubes prestem contas periodicamente sobre o pagamento de salários e direito de imagem a todos os seus funcionários (atletas e não-atletas) e com punições desportivas e responsabilização pessoal dos dirigentes que não estiverem em dia com suas obrigações fiscais e trabalhistas."

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