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Bom Senso defende MP da dívida dos clubes e critica reação da CBF

Movimento dos jogadores vê caminho para sanear os clubes

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2015 | 07h00

Na queda de braço para tentar tirar os clubes brasileiros do abismo financeiro em que se meteram, CBF e Bom Senso FC concordam em um aspecto: do jeito que está não dá para ficar. No entanto, as discordâncias são muitas, com visões bastante distintas sobre a Medida Provisória que possibilita o refinanciamento das dívidas fiscais. A entidade, unida aos clubes, quer mudar vários artigos, e o movimento dos jogadores defende a manutenção quase integral do texto.

Fernando Prass, goleiro do Palmeiras e um dos líderes do movimento, não vê motivo para tanta resistência dos dirigentes a alguns pontos da MP.

Ele não entende, por exemplo, a insegurança em relação a poder disputar torneios internacionais caso venham a aderir à MP - quem optar pelo refinanciamento só poderá participar de competições organizadas por entidades que também se adequem aos termos da medida.

“Na nossa visão não há esse risco, porque a MP trata de competições que atingem clubes no Brasil’’, diz Prass. “Se surgir alguma incerteza é muito simples resolver: é só a CBF e as federações se adequarem às regras. A real função delas é ajudar clubes e federações. Então, se for preciso fazer isso para que os clubes tenham uma grande melhora...’’

O Bom Senso também defende o teto de 70% do faturamento para os clubes investirem no futebol - algo que eles querem derrubar - porque um dos objetivos do fair play é justamente buscar um equilíbrio maior entre os participantes de um campeonato.

O goleiro do Palmeiras diz que os jogadores também desconfiam do fair play trabalhista proposto pela CBF. Estão convictos de que não funciona com base no que ocorre no Campeonato Paulista. “Em quatro anos, houve duas denúncias (a FPF diz que foram quatro) de problemas com o pagamento dos salários. Pega o número de processos trabalhistas nesse período. São duas, três dezenas. Não tem nem discussão de que não funciona.’’

Diálogo

O texto da MP está na fase de apreciação pelo Congresso e poderá sofrer alterações. Fernando Prass sabe que a CBF vai fazer lobby para mudar os pontos que contrariam seus interesses e os dos clubes, mas considera ainda ser possível dialogar.

“Com certeza a nossa proposta tem diferença em relação à deles, mas só se chegará a bom termo se as partes buscarem o diálogo’’, afirma. “O Walter (Feldman, secretário-geral da CBF) fala que o clube que não modernizar sua gestão não vai sobreviver. Nós, jogadores, estamos lutando justamente para que isso (a morte dos clubes) não aconteça.’’

Prass enfatiza que o Bom Senso não prega a punição aos clubes por não pagar salários em dia nem recolher tributos. “Essa é uma questão secundária. A gente quer dar aos clubes condições para que mantenham os compromissos em dia. Para isso, é preciso um texto (da MP) forte, que deixe bem claro direitos, deveres e punições.’’

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