Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bom Senso FC passa por transição e se firma como entidade de classe

Saída do zagueiro Paulo André para o futebol chinês marca processo de reestruturação do movimento

Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 04h58

SÃO PAULO - A transferência de Paulo André do Corinthians para o Shanghai Shenhua, da China, evidencia um momento de transição do Bom Senso FC. Líderes e fundadores estão saindo de cena enquanto outros ganham espaço no movimento, que tenta se firmar como uma entidade de classe.

Entre os participantes da primeira reunião com a CBF, em outubro de 2013, por exemplo, apenas o goleiro Dida (Internacional) ainda defende um clube no País. Seedorf deixou o Botafogo para treinar o Milan, Juninho Pernambucano se aposentou, Cris está desempregado e Paulo André foi para a Ásia.

Neste novo cenário, um dos atletas que devem tomar a frente do movimento é o goleiro Fernando Prass. "No Bom Senso, a gente sempre colocou que não é uma pessoa que comanda o movimento. É claro que uns participam mais, mas no mínimo 15 jogadores têm uma participação bastante ativa", diz o palmeirense.

Para Paulo André, a sua transferência para a China pode, inclusive, fazer bem à imagem do Bom Senso, que estava muito atrelada a ele. "Talvez não tendo a minha figura todo mundo enxergue que esse é um movimento dos jogadores da Série A e da Série B, não apenas do Paulo André", lembra.

O Bom Senso já se preparava para esse momento de transição. Até pelo fato de o grupo ter sido lançado por atletas em fim de carreira em 2013, era esperada a saída de alguns líderes. Por isso, uma das propostas para este ano é fortalecer a relação com os torcedores e fazer chegar ao público as propostas e ideias do movimento.

Para isso, o Bom Senso fechou um acordo com a produtora R20 e lançará uma série de vídeos com depoimentos de atletas, ex-jogadores e treinadores. "Serão oito filmes de sete minutos, cada um sobre um tema e explicando as demandas do Bom Senso", conta o produtor Fernando Curi.

O movimento também conta com uma estrutura profissional de advogados, assessores e até um sociólogo. Formado em Ciências Sociais pela USP, Ricardo Borges Martin assumiu a coordenação do Bom Senso e cuida da mobilização do grupo. "Nosso esforço é mostrar o que o Bom Senso defende, pois havia muita confusão a respeito das nossas bandeiras. Queremos levar às pessoas o nosso diagnóstico do futebol brasileiro e propostas", explica.

Mudanças. Reflexo dessa renovação é que o grupo resolveu centrar nesse momento as suas atenções em apenas em dois temas: fair play financeiro e calendário (diminuição de jogos dos times grandes e aumento de partidas das equipes menores).

O grupo também resolveu se aproximar de algumas entidades. Na segunda, por exemplo, mais de 20 jogadores se reuniram em São Paulo e o encontro teve a participação do presidente Sindicato de Atletas de São Paulo, Rinaldo Martorelli, do presidente do Sindicato de Atletas Profissionais do Rio de Janeiro Alfredo Sampaio e do advogado do Sindicato de Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul, Décio Neuhaus. 

Colaborou Daniel Batista

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