Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Bombas da 2ª Guerra Mundial foram encontradas sob palco de jogo do Brasil

Obra da Arena de Rostov demorou para começar em virtude do problema

Marcio Dolzan, enviado especial / Sochi, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2018 | 05h00

Palco da estreia da seleção brasileira na Copa, a novíssima Arena de Rostov deveria ter começado a ser erguida em 2013, mas as primeiras fundações só foram feitas dois anos mais tarde. Se no Brasil o motivo do atraso poderia ser entraves burocráticos, no sul da Rússia a causa foi mais peculiar: bombas da Segunda Guerra Mundial. Cinco delas foram encontradas durante as primeiras escavações, e um minucioso trabalho à procura de outras precisou ser realizado.

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As cinco bombas da Segunda Guerra estavam intactas, e foram parar lá muito provavelmente durante as batalhas travadas pelo exército soviético com os nazistas, entre 1941 e 1943. O domínio daquela área era estratégico porque Rostov é porta de entrada para o Cáucaso e fica próxima a cinco mares: Negro, Cáspio, Branco, Báltico e de Azov.

A região também foi palco de conflitos anteriores. Durante a Revolução Russa, a área de Rostov foi disputada pelos exércitos Branco e Vermelho. Por séculos, foi dominada pelos cossacos, povo conhecido por sua bravura e capacidade de guerrear.

HISTÓRIA MACABRA

Com 1,2 milhão de habitantes, Rostov é a maior cidade da região, mas ganhou o indesejado título de “cidade da morte” por ter sido local da ação do mais famoso serial killer do país, Andrei Chikatilo. O ucraniano, nascido em 1936, se mudou para a Rússia aos 25 anos. Formado engenheiro, Chikatilo ganhou notoriedade sob a alcunha de Açougueiro de Rostov – e isso nada tinha a ver com sua profissão. Ele foi condenado à morte em 1992 pelo assassinato e mutilação de 52 pessoas, entre mulheres e crianças. Chikatilo confessou um número ainda maior de vítimas, 56, mortas entre 1978 e 1990. Ele foi executado em 1994, após seus pedidos de clemência serem negados.

 

ARENA

Construída na margem esquerda do Rio Don, a Arena de Rostov terá capacidade na Copa do Mundo para 45 mil pessoas. Após o torneio, parte das arquibancadas será removida e o estádio passará a abrigar cerca de 25 mil torcedores. Seu custo final foi de R$ 1,17 bilhão.

O estádio faz parte de um amplo projeto para modernizar aquele lado do rio. A ideia é que a área ao redor se transforme em importante centro de esportes e saúde. Um canal para remo, uma área de esportes aquáticos, uma pista de patinação no gelo, uma quadra de handebol e um centro equestre deverão ser finalizados em breve e serão usados no preparo de atletas olímpicos.

 

 

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