Bonamigo sofre com pressão no Palmeiras

Paulo Bonamigo está prestes a "estourar". O técnico do Palmeiras não agüenta mais ter de falar sobre o fantasma da demissão na véspera de cada partida pelo Campeonato Brasileiro. Foi assim antes de vencer o Vasco, há duas semanas, e depois da derrota para o Paysandu, na rodada passada. A sombra de Emerson Leão, que está disponível no mercado e constantemente aparece em programas de tevê, também tira seu sono.Nesta sexta-feira, Bonamigo não suportou. Depois de ser questionado várias vezes sobre o assunto por uma jornalista, o técnico ficou quieto. Encarou a moça e parecia contar até dez para não desabafar. Virou as costas e foi embora."É a décima pergunta sobre isso. A décima!", explicou o treinador. "Ela queria me perturbar e conseguiu. Eu respeito todos vocês (jornalistas), mas ela foi maldosa. Daqui a pouco, alguém solta uma porrada... Eu não tô pedindo pelo amor de Deus para ficar no Palmeiras. Só estou tentando manter o foco no Botafogo."A entrevista de Emerson Leão ao programa "Arena SporTV", na tarde desta sexta-feira, chegou aos ouvidos do técnico do Palmeiras. Bonamigo, no entanto, se mostrou indiferente ao saber das declarações do colega, que disse ser "um prazer dirigir o Palmeiras, como qualquer clube do Brasil". Nada demais."Treinador não tem de ter medo de assombração, não!", disparou Bonamigo. "O que ele fez foi normal. Uma postura que qualquer profissional tem de ter quando está livre no mercado. Nunca liguei para ninguém para pedir emprego. Tenho de acreditar na minha capacidade."Uma vitória sobre o Botafogo - domingo, às 18h10, no Palestra Itália -, porém, ainda será insuficiente para abafar a pressão sobre o técnico. Enquanto alguns conselheiros apóiam sua permanência, uma outra parte (maior), quer sua cabeça. "Não adianta nada vencer dois, três, quatro jogos e fazer uma boa seqüência. No primeiro cacete que eu levar, toda pressão voltará. É assim aqui e em qualquer outro grande clube. Já vimos o que aconteceu depois da derrota no clássico (contra o São Paulo) pela Libertadores. Isso (pressão) sempre vai existir", disse Bonamigo.O técnico só está tranqüilo em relação à torcida. O jantar no início da semana com alguns membros de organizadas serviu para Bonamigo ganhar um pouco de fôlego. E alguma confiança."Nós temos de ter prazer de jogar diante de nossa torcida. E não receio, como acontecia no ano passado. Só não quero que meus jogadores entrem em campo e já sejam vaiados. Depois do jogo, se perder, pode até cobrar. Normal. Se um atleta é criticado antes, perde o estímulo. Foi isso que conversei com eles, da torcida", revelou o treinador.Os jogadores se esforçam para manter o clima de tranqüilidade. Apesar das brincadeiras, todos sabem que a posição de Paulo Bonamigo não é cômoda. O pacto feito há duas semanas continua valendo: jogar pelo emprego do técnico. A maioria aproveita as entrevistas para mostrar apoio ao treinador. E, pelo jeito, isso não está perto de acabar."Pode ter certeza que o ambiente é o mesmo. Não mudou absolutamente nada depois da derrota para o Paysandu. Contra o Botafogo, só temos de mostrar a mesma personalidade de quando enfrentamos o Santos e o Vasco", avisou o meia-atacante Marcinho. "Com certeza, Bonamigo não vai sair", completou o lateral Baiano, que fará sua estréia no domingo.

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