Botafogo: de ameaçado a finalista

O jogo em Campinas estava com 34 minutos do segundo tempo. A Ponte vencia o Botafogo por 3 a 2 e estava se classificando para a final do Campeonato Paulista. De repente, Chris, um catarinense de 22 anos e salário de R$ 3 mil, mudou a história do jogo. Saiu do meio-campo e, após passar por dois jogadores, foi derrubado por Roberto, dentro da área. O pênalti, convertido por Leandro, colocou o time de Ribeirão Preto, pela primeira vez, na decisão do estadual. Campanha tão boa só em 1977, quando ganhou o primeiro turno da competição. "Entrei na área e sabia que o Roberto viria com tudo para cima de mim. Foi só dar um biquinho na bola e esperar a falta." A fase de Chris é tão boa que, após ter sido observado por "olheiros" da Fiorentina, no domingo retrasado, na primeira semifinal, diante da Ponte, pode estar se transferindo para o Barcelona. Os dirigentes do clube de Ribeirão, afirmaram, até com certa truculência, nada saber sobre o assunto. "Essa notícia foi plantada por alguns jornalistas. Nem o jogador está sabendo o que está acontecendo", afirmou o supervisor Toninho, ironizando o questionamento do repórter. Chris chegou ao Botafogo apenas três dias antes da estréia do time no campeonato, contra o Palmeiras. De sério candidato ao rebaixamento, o time soube jogar com o resultado e eliminar a Ponte em pleno estádio Moisés Lucarelli. "Nossa equipe foi menosprezada pelo Nelsinho. Como é que alguém pode falar que, ?aqui dentro eles vão ver o que é bom para a tosse?", ressaltou, referindo-se ao discurso adotado pelo treinador pontepretano durante a semana. O meia só espera que a Federação Paulista marque a primeira partida da decisão contra o Corinthians para Ribeirão Preto. "Temos um estádio para mais de 50 mil pessoas. Mas se os dois jogos forem no Morumbi, tudo bem. Com certeza, a pressão em São Paulo será bem menor do que a encontrada aqui." Aposta no favoritismo do Corinthians para a final era unânime entre jogadores e dirigentes do Botafogo, mas, segundo Chris, o treinador Lori Sandri procura trabalhar a cabeça dos jogadores de acordo com as etapas a serem vencidas. "Por isso, vamos primeiro pensar no jogo de domingo que vem. Vai ser emocionante enfrentar o Corinthians num estádio lotado", afirma, já pensando nos lucros que uma possível transferência irá trazer. O treinador Lori Sandri procurou enaltecer a entrada de César como fator determinante à conquista da vaga. "Mas a zebra continua. O Botafogo é um time inexperiente, mas que pode chegar, já que sua média de pontos é bastante alta." Lori também procurou diminuir a importância da torcida do Corinthians para a decisão. "O que ganha jogo é trabalho." O capitão Rogério, que foi substituído por César no intervalo, revela que a final irá dividir o coração do seu pai. "Ele é muito corintiano. Aliás, eu também era quando criança. Mas se chegamos até aqui, vamos buscar, apesar dos grandes jogadores de meio e ataque do adversário." O zagueiro vislumbra também a chance de deixar o clube após quase 10 anos. Segundo Enéas Viana, diretor de futebol do Botafogo, o clube vai lutar com todas as forças para a marcação da primeira partida contra o Corinthians para o Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. "Não é justo tirar a festa de nossa cidade. Em 95, a Federação Paulista realizou as duas finais de Corinthians e Palmeiras em nosso estádio e não houve problemas." O dirigente não quis dizer quanto cada jogador irá receber para a classificação para a decisão. Limitou-se a afirmar que o bicho será proporcional de acordo com as partidas jogadas. "Mas o que vale agora é o título. Nosso grupo é muito fechado e unido, com jogadores que foram humilhados, mas que hoje, com certeza, não são mais bobinhos."

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