Raul Ramos/Agência Botafogo
Raul Ramos/Agência Botafogo

Botafogo-SP tem gestão empresarial e é preparado para abrir capital na bolsa

Desde maio do ano passado, Botafogo-SP virou um clube empresa. Dois ex-diretores do São Paulo articularam o projeto

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2019 | 04h30

Um encontro em 2017 entre Adalberto Baptista e Gustavo Vieira de Oliveira, ex-diretores do São Paulo, transformaria outro time da capital paulista: o Botafogo-SP. Após diversas conversas em Ribeirão Preto, eles articularam um projeto para fazer o Botafogo se tornar um clube empresa. O plano se concretizou em maio de 2018, quando a proposta foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros. 

Aprovada a mudança, o Botafogo Futebol Clube transferiu seus registros e vagas nas competições para a Botafogo Futebol S/A. Um estudo avaliou o valor do clube em R$ 20 milhões, e a Trexx Holding - empresa de investimentos comandada por Adalberto Baptista - aplicou R$ 8 milhões para ficar com 40%.

Desde então, além da diretoria executiva, o clube passou a ser gerido por um conselho de sete pessoas: três indicadas pelo Botafogo Futebol Clube, duas indicadas pela Trexx Holding e duas independentes. Gustavo é um dos independentes e está à frente do futebol do time.

“Na prática, você tem um ambiente de gestão muito mais técnico, voltado para o futebol, com pouco gasto de energia para questões políticas e relacionamentos. Isso tem impacto direto na gestão. Quando você transforma o clube em empresa, tem mais capacidade de buscar recursos no mercado, como ações e juros menores, porque o credor tem mais confiança. Cria-se parcerias de longo prazo, porque não tem mais transições temporárias, como mudar o presidente a cada três anos”, diz Gustavo Vieira.

A Botafogo Futebol S/A é uma sociedade anônima fechada, mas o plano é preparar a empresa para abertura de capital na bolsa. Adalberto Baptista, presidente do Conselho de Administração e hoje responsável pelo marketing, aposta no aumento do valor de mercado do clube. O primeiro passo foi dado ainda no fim do ano passado, com o acesso da Série C para a Série B do Campeonato Brasileiro.

“Nós temos inicialmente o prazo de em sete anos alcançar a série A. Estando na elite, é preparar a empresa para uma abertura de capital”, revela.

“Nossa expectativa é praticamente dobrar o faturamento em 2019 e repetir isso em 2020. Sair de um faturamento de R$ 12 milhões para R$ 25 milhões neste ano, e em 2020 tentar chegar a R$ 45 milhões”, acrescenta Baptista, que por enquanto descarta investir em outro clube.

Uma das apostas para aumentar o faturamento ainda em 2019 é a inauguração da Arena Eurobike, espaço no estádio Santa Cruz que será inaugurado em amistoso contra o Corinthians no dia 29 de junho. O local contará, por exemplo, com o restaurante Hard Rock Cafe, além de camarotes e outro bar. Quem está à frente das obras que tiveram início em setembro de 2018 é Baptista, responsável também por vender os naming rights do espaço para a Eurobike por dois anos, com contrato renovável por mais dois anos, e de fechar o patrocínio master com a Sicred até o fim desta temporada.

“O estádio tinha bastante espaço, características semelhantes às do Morumbi. A inauguração da arena será mais um marco para o Botafogo e para a cidade”, exalta Baptista.

 

Se fora de campo o Botafogo-SP tem inovado em sua gestão, dentro das quatro linhas também tem surpreendido. Após uma campanha ruim no Paulistão, livrando-se do rebaixamento na última rodada, a equipe de Ribeirão Preto tem um bom início na Série B. Os dirigentes, porém, ainda não se empolgam. Eles calculam chegar à elite do futebol nacional em três anos.

“O objetivo é se manter na Série B, porque teve uma mudança de patamar, tem que ter maturidade”, afirma Gustavo.

Três perguntas para Gustavo Vieira de Oliveira:

1. Como surgiu a ideia de transformar o Botafogo-SP em um clube empresa?

Era um desejo antigo meu, mas não tinha maturidade profissional. Depois, encontrei com o Adalberto, ele topou e desenvolvemos esse conceito. Acredito que o número de clubes vão diminuir, e era uma oportunidade para o Botafogo. Levei essa visão e houve o convencimento da diretoria e do conselho. Todo o trâmite durou cerca de cinco meses.

2. Acha que o exemplo do Botafogo pode ser seguido por outros clubes?

Essa é minha principal ambição, te confesso. Desde que imaginei isso, esse espírito de vanguarda e o desafio de ser pioneiro são minha principal motivação. Acho que é um caminho que clubes de médio porte têm que considerar para crescimento de longo prazo. Em algum momento esse caminho vai ser pauta na vida até de grandes clubes.

3. Quais são os próximos objetivos, tanto na gestão quanto no futebol?

O objetivo da S/A é gerar lucro? Sim. Porque empresa e Botafogo podem se apropriar. Mais do que isso: aumentar o valor de mercado. Já teve um valor adicional com o acesso à Série B. Tivemos que mudar os jogadores , e isso acaba gerando uma fragilidade, mas agora estamos amadurecendo. Nossa ambição é grande, mas temos pés no chão. 

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