Branco inaugura uma nova era na seleção

O chefe de delegação, cartola que viajava com a seleção por ser aliado político do presidente Ricardo Teixeira e não tinha nenhuma intimidade com os jogadores e a comissão técnica, parece ser uma figura em extinção nas equipes de base do Brasil. O ex-lateral Branco comandou o grupo que esteve no Mundial Sub-20, nos Emirados Árabes Unidos, em dezembro, e está repetindo a dose desde quarta-feira à tarde, com o time Sub-23 no Chile.Aos 39 anos, e amigo de Ricardo Gomes há 22 - se conheceram nos juniores do Fluminense, em 1982 -, Branco tem ótimo relacionamento com a comissão técnica e com os garotos da seleção. Está inaugurada a época do chefe de delegação "boleiro".A "convocação" para ir ao Chile foi por telefone. "Estava passando férias em Bagé e recebi um telefonema do presidente Ricardo Teixeira me pedindo para chefiar a delegação da Sub-23. Não é sacrifício nenhum para mim, pelo contrário. Minha vida é isso aqui, é o ambiente do futebol", explicou Branco, que é o coordenador-técnico das seleções de base desde abril.Com a experiência de quem jogou três Copas do Mundo e ganhou uma, em 1994, ele se coloca como um conselheiro para os meninos, algo inimaginável para um presidente de clube ou federação que chefie a delegação de uma seleção. "Tenho uma comunicação muito boa com os meninos. Procuro passar as coisas que aprendi ao longo da minha carreira e dou muita liberdade para eles conversarem comigo", contou.Um dos ensinamentos que Branco mais tenta passar para os meninos é o de que ninguém pode querer ser "a estrela" do grupo. E cita o ambiente ruim que existia no elenco que disputou a Copa de 1990 como exemplo do que não deve ser feito. "Aqui é todo mundo igual, ninguém é mais do que ninguém. Quando alguém quer aparecer mais do que os outros, dá bobagem. Mas sempre que uma seleção brasileira é formada por um grupo fechado e privilegia o coletivo em relação ao individual, o resultado aparece."Como "cartola-boleiro", Branco se sente com liberdade para dar palpites sobre tática. E conta como deu uma contribuição importante para que o time deslanchasse no segundo tempo da partida de quarta-feira, contra a Venezuela, na estréia do Pré-Olímpico. "Acompanhei o primeiro tempo lá de cima e tive uma visão ampla do jogo. No intervalo, desci para o vestiário e fui conversar com o Diego. Disse que ele ainda não tinha achado o espaço dele, mas que havia um buraco entre o meio-de-campo e a defesa da Venezuela, porque eles estavam marcando muito na frente. Na primeira bola que pegou no segundo tempo, o Diego fez a jogada e marcou", revelou o dirigente.Em seu primeiro contato com os jogadores no Chile, poucas horas antes da estréia, Branco tratou de motivá-los dizendo que será um ano cheio de competições - com Eliminatórias, Copa América e, possivelmente, Olimpíada - e, por isso, o Pré-Olímpico pode ser uma ótima vitrine. Foi o mesmo discurso que usou com o pessoal que acabou de conquistar o Mundial Sub-20. "Falei que o Mundial seria uma vitrine para o Pré-Olímpico e metade do time veio para cá", afirmou, referindo-se a Daniel Carvalho, Nilmar, Dagoberto, Dudu Cearense e Adaílton.Mas nem só de papos com os jogadores vive Branco. Como coordenador das seleções de base, às vezes tem de tomar decisões duras, como foi substituir o técnico Valinhos por Marcos Paquetá na Sub-20. "Acompanhei o trabalho no Pan e senti que o Valinhos não tinha o grupo na mão", justificou.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2004 | 18h21

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