Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Brasil encerra ano em 3º lugar nas Eliminatórias, mas ainda com erros

Veja os 7 erros de Dunga e da CBF em relação ao time nacional

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2015 | 12h27

A seleção brasileira fechou sua temporada em 2015 com a vitória sobre o Peru pelas Eliminatórias da Copa da Rússia. O resultado recolocou o Brasil entre os primeiros colocados, na terceira posição, atrás de Equador (12 pontos) e Uruguai (9) em quatro rodadas. O Brasil de Dunga ganha mais de fôlego para o próxmo compromisso oficial, diante do Uruguai, somente em março. Desde o fracasso na Copa América, Dunga tenta mudar o time e dar um padrão à equipe. O treinador carrega também sobre os ombros a necessidade de reformular o futebol da seleção após o 7 a 1 sofrido pelo Brasil na Copa do Mundo diante da Alemanha. Quando aceitou o cargo de Felipão, oferecido a ele pelo então presidente da CBF, José Maria Marin, hoje em prisão domiciliar nos Estados Unidos depois de passar cinco meses detido na Suíça acusado de corrupção, o treinador sabia que seria cobrado. Veja 7 erros de Dunga e da seleção brasileira nesta temporada.

1 - FRACASSO NA COPA AMÉRICA

Na primeira competição oficial do Brasil após a Copa do Mundo, o time de Dunga fracassa diante do Paraguai nos pênaltis. A seleção é eliminada na fase de quartas de final. O treinador mostra-se sem preparo para tocar a equipe. Monta formações fracas, aposta alto no veterano Robinho e em volantes que 'não sabem' sair com a bola, bem diferente do corintiano Renato Augusto, como foi contra o Peru, terça-feira, na Fonte Nova. Dunga achou que era só 'destilar' seu discurso bélico, de guerreiros em campo, para sacudir o elenco. Não deu certo. Tanto não deu que o treinador volta atrás e agora admite 'estudar os rivais' para os confrontos.

2 - ABANDONADA PELA CBF

Com suspeita de corrupção batendo à porta da CBF, depois da saída do presidente Marco Polo del Nero de fininho do Congresso da Fifa em Zurique, em que Marin foi preso pelo FBI, em maio, a seleção brasileira ficou órfão de cartolas. Antes presentes com pompas em todas as partidas do time nacional, desde essa onda de corrupção e prisões de cartolas da Fifa, os dirigentes da CBF sumiram. Marco Polo, que assumiu o posto em abril, não arreda o pé do País. Não esteve com o Brasil na Copa América nem em nenhuma outra partida do time. Nem mesmo em solo brasileiro. Investigado pela CPI do Futebol, liderada pelo deputado Romário, Del Nero tem nomeado representantes para acompanhar a delegação. Dunga e Gilmar Rinaldi nada comentam sobre o assunto.

3 - ESCOLHA DE JOGADORES ERRADOS

Dunga apostou em alguns jogadores e não conseguiu fazer com que eles jogassem bem. Um deles foi o zagueiro Thiago Silva, que depois da Copa América não faz mais parte das convocações do treinador. Tardelli, Firmino, Everton Ribeiro também perderam espaço, assim como o goleiro Jefferson, condenado por erros na Copa América. O jogador do Botafogo ainda faz parte do grupo, mas perdeu vaga para Alisson. Quem também 'furou' com o treinador foi o lateral Maicon, cortado por indisciplina no primeiro amistoso do time nos Estados Unidos.

4 - NEYMAR AINDA DEVE

Neymar não tem sido na seleção o mesmo craque do Barcelona. Na Copa América, o atacante mostrou destempero ao 'brigar' com todo mundo em campo na partida com a Colômbia e acabar expulso, sem poder jogar na sequência da competição e ainda desfalcando o Brasil nas duas primeiras partidas das Eliminatórias, contra Chile e Venezuela. Ele voltou diante da Argentina com atuação média, como foi também contra o Peru. Neymar tem lugar cativo entre os 11 e é o principal jogador brasileiro na atualidade, mas termina o ano devendo na seleção.

5 - SEM ALEGRIA

Espera-se que a seleção volte a ter alegria em campo. As vitórias vieram nas Eliminatórias, com alguns momentos interessantes dentro de campo, mas é inegável que o time joga sem sorrir, com resultados burocráticos e lampejos de boas apresentações apenas. Nem de longe lembra o Brasil de outros tempos. Contra Argentina e Chile, rivais à altura do Brasil, foi um Deus nos acuda. Contra Venezuela e Peru, é preciso dar desconto, são adversários mais fáceis. O próprio Daniel Alves disse recentemente que os jogadores da seleção jogam pressionados. Cabe ao treinador mudar isso também.

6 - SEM LIBERDADE PARA JOGAR

Os jogadores brasileiros não tem essa liberdade. Ninguém vai admitir isso, mas como explicar boas atuações de alguns jogadores em seus respectivos clubes e apresentações burocráticas na seleção. Dunga é muito cobrado nesse sentido pelas partidas de Elias, que voa no Corinthians e se arrasta no Brasil. Da mesma forma, a bola não chega nos atacantes como deveria. Ricardo Oliveira destaca-se no Brasileiro, embora não seja um jogador para a seleção, mas nada fez no time Dunga. Ricardo Oliveira e Elias são bons jogadores. Na seleção, sofrem com o esquema tático e a necessidade de marcar. Oscar também entra nesse contexto. O meia do Chelsea é excelente jogador, mas não consegue jogar na seleção.

7 - APOSTAS EM TITULARES

Dunga procura a formação ideal para o Brasil. Ainda não tem. E por dois motivos: tem errado na escolha de alguns jogadores e insistido na escalação de outros. David Luiz é um deles. O jogador do PSG é titular absoluto e só não jogou contra o Peru porque foi expulso diante da Argentina. Ocorre que David Luiz, mesmo a despeito de toda sua simpatia e vontade de ajudar, comete muitos erros. É estabanado e abandona com facilidade a posição. Trabalhar com dois volantes quando se tem os laterais mais presos não é necessário. Com Willian e Douglas Costa abertos pelas pontas, Daniel Alves e Filipe Luís, da formação contra o Peru, não passam do meio de campo. Presos à marcação, ajudam mais o setor defensivo, o que poderia abrir vaga para um outro meia. Se Elias não funciona, tem de trocar. E assim vale para todos.

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