Brasil aposta em criatividade de Kaká e Robinho para bater o Chile

Dunga ainda aguarda avaliação médica para saber se contará com Elano e Felipe Melo

Silvio Barsetti, de O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2010 | 20h39

JOHANNESBURGO - O Brasil conta com a criatividade de Kaká e Robinho, ausentes na rodada anterior, para enfrentar nesta segunda-feira, 28, às 15h30 (de Brasília), com cobertura especial do Estadão.com.br e transmissão da Rádio Eldorado/ESPN, seu maior freguês sul-americano dos últimos dez anos. O confronto com o Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo, em Johannesburgo, pode ter prorrogação de meia hora e até mesmo ser decidido nos pênaltis. Basta que não haja vencedor nos 90 minutos e, para o segundo caso, que o empate persista no tempo extra.

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O técnico Dunga prefere ignorar o retrospecto mais recente entre as duas seleções. "Os últimos resultados contra o Brasil servem até de motivação para os chilenos, não tem jogo fácil", disse, em entrevista no domingo, no local da partida, o Ellis Park Stadium.

 

Há nove tradicionais adversários do Brasil na América do Sul, notadamente a partir das últimas eliminatórias de mundiais. O Chile, entre todos, foi o que mais sofreu derrotas (8) para a seleção - e também o que mais levou gols (29) - desde 2000. A partir da efetivação de Dunga como técnico da equipe, em agosto de 2006, houve mais cinco jogos com os chilenos e o Brasil não deixou escapar a vitória em nenhum deles.

 

Pela característica dos dois times, o jogo deve ser aberto, provavelmente com muitas chances de gol. O Chile, do técnico argentino Marcelo Bielsa, é avesso a retrancas e recorre à velocidade para surpreender nos contra-ataques. O Brasil, com o trio Kaká, Robinho e Luís Fabiano, tem mais qualidade, além de uma defesa muito forte, com exceção da lateral-esquerda, setor vulnerável por causa da irregularidade de Michel Bastos.

 

Dunga deve escalar Elano ao lado de Kaká. O ex-santista ficou fora dos minutos finais do jogo com a Costa do Marfim e não participou do empate contra Portugal - o que o livrou de ouvir uma vaia ruidosa, de mais de 60 mil pessoas, direcionada aos atletas das duas seleções ao fim da partida. Elano sofreu uma pancada no tornozelo e passou os últimos dias em tratamento. No sábado, treinou com o grupo, de tênis, e parecia inseguro. No domingo, calçava chuteiras e estava mais desenvolto.

 

A dupla Kaká e Robinho terá papel fundamental contra o Chile (Foto: Wilton Junior/AE)

 

Situação mais delicada é a de Felipe Melo. Também com dores de tornozelo, vai ser reavaliado neste domingo para saber se tem condições de atuar. Josué, seu reserva imediato, estará atento à palavra dos médicos.

 

CAMPANHA

Apesar do primeiro lugar no Grupo G na primeira fase, o Brasil não convenceu até agora no Mundial. Decepcionou na vitória por 2 a 1 sobre a Coreia do Norte; melhorou no jogo seguinte e venceu Costa do Marfim por 3 a 1, mas voltou a se apresentar muito mal no empate (0 a 0) com Portugal. Para Dunga, o caminho está traçado: é avançar na Copa a qualquer custo. Ele se irrita quando indagado sobre o futebol de resultados do qual é defensor.

 

A discussão sobre futebol-arte é um assunto presente na seleção, embora sempre rejeitado publicamente por Dunga. A expressão teve destaque no site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para definir a atuação da equipe, especificamente a de Luís Fabiano, no jogo com a Costa do Marfim. O gol em que o artilheiro usou duas vezes o braço para dar dois lençóis nos adversários deu argumentos para que alguns jogadores falassem em "espetáculo".

 

Logo depois, Dunga interveio e revalidou suas declarações habituais. "Não quero ver um futebol bonito que não ganha título." Mesmo com a insistência do treinador de que não há lugar para 'estrelas' no grupo, não se pode negar que Kaká, Robinho e Luís Fabiano são atletas com potencial acima da média. Em boas condições físicas, os três impõem respeito. Melhor ainda para o Brasil, na tarde de hoje, que o Chile atuará com a zaga reserva.

 

A seleção brasileira, se passar pelo Chile, volta a jogar na sexta-feira, com o vencedor de Eslováquia x Holanda.

Brasil

1 - Júlio César

2 - Maicon

3 - Lúcio

4 - Juan

6 - Michel Bastos

8 - Gilberto Silva

5 - Felipe Melo

7 - Elano

10 - Kaká

11 - Robinho

9 - Luís Fabiano

Técnico - Dunga

Chile

Bravo - 1

Mauricio Isla - 4

Jara - 18

Contreras - 5

Arturo Vidal - 8

Carmona - 6

Millar - 20

Matías Fernandez - 14

Beausejour - 15

Sanchez - 7

Suazo - 9

Marcelo Bielsa - Técnico

 

 

 

 

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