Marcos Brindicci| Reuters
Marcos Brindicci| Reuters

'Brasil atual é o pior da história', diz técnico do último título argentino

Alfio Basile foi bicampeão da Copa América, em 1991 e 1993. 'Antes o Brasil tinha jogadores que nos davam bailes impressionantes'

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 11h14

O último título da seleção principal da Argentina foi a Copa América de 1993, disputada no Equador. Na ocasião, a "Albiceleste" se sagrou bicampeã do torneio sul-americano, já que conquistara a edição anterior, em 1991, no Chile. O treinador em ambas as conquistas era Alfio Basile, hoje com 66 anos e aposentado desde 2012, quando comandou o Racing. 

Em entrevista ao jornal espanhol El País, "Coco" analisou a situação atual do futebol, principalmente o sul-americano. Questionado sobre a seleção brasileira, Basile dispara: "O futebol brasileiro de hoje é o pior da história. Antes, tinha atletas que nos davam bailes impressionantes."

E ainda completou: "A técnica que o jogador brasileiro perdeu é incrível. Historicamente, nós (argentinos) poderíamos ganhar do Brasil jogando bem, mas sempre com valentia porque eles (brasileiros) sempre foram superiores tecnicamente. Tinham equipes impressionantes. Agora os vejo jogar e faltam jogadores no meio de campo, na defesa, no ataque. Na Copa do Mundo de 2014, Fred jogou como nove."

Basile classifica Brasil e Argentina como duas das quatro maiores seleções do mundo, ao lado de Alemanha e Itália. Ele, porém, alerta para o crescimento de outras equipes locais. "Quando jogamos Copa América e Eliminatórias, o Uruguai se faz muito forte, assim como o Chile ultimamente. O futebol sul-americano cresceu e tem se emparelhado demais."

O time bicampeão da América comandado por Alfio Basile era composto por grandes nomes do futebol argentino, como Goycochea, Ruggeri, Caniggia, Batistuta e Diego Simeone. Além deles, o treinador também contou com Diego Maradona na Copa do Mundo de 1994. De acordo com Basile, "as pessoas me dizem todos os dias em cada semáforo, cada bar que entro", que aquele foi a última grande seleção argentina. "Ganhamos duas Copas América invictos e depois aconteceu o Mundial de 1994. Aquela seleção, nos Estados Unidos, ganharia de todos. Tínhamos um timaço, mas tivemos a desgraça do camisa 10 (expulsão de Maradona da Copa por doping) e a lesão de Caniggia (na derrota por 2 a 0 contra a Bulgária, na última rodada da fase grupos)."

Entre Messi e Maradona, "Coco" preferiu ficar em cima do muro sobre quem escolheria para uma partida na quadra da escola. "São distintos. Diego era um estrategista, Messi é um goleador impressionante. Ambos sempre pedem a bola, aguentam patadas e não choram. Dois extraterrestres, assim como Pelé. Joguei contra Pelé e ele fazia tudo bem."

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