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No futebol, o verde-amarelo da nossa bandeira é de todos nós, sem constrangimento

As cores estão associadas ao presidente Jair Bolsonaro e sua campanha, passeatas, carreatas e motociatas, mas na Copa do Mundo do Catar elas pertencem aos torcedores brasileiros e não aos políticos

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2022 | 05h00

Antes que as eleições peguem fogo e polarizem ainda mais os eleitores, como se tem visto nos últimos tempos, e antes também de a Copa aquecer a disputa mundial (a Rede Globo já faz campanha para o hexa), vale deixar uma coisa bem clara no futebol brasileiro: as cores da bandeira nacional não pertencem a nenhum candidato, não podem ser apropriadas por este ou aquele durante o pleito no País, nem antes nem depois, e todos os torcedores têm o direito de vestir verde e amarelo nos dois grandes eventos agendados, as eleições presidenciais e o Mundial do Catar. Nas duas situações, há esperança para os brasileiros.

Neste ano de Copa, há um desconforto no futebol em usar a camisa da seleção porque ela foi associada a um dos candidatos à presidência, o presidente Jair Bolsonaro, que tenta sua reeleição. Seus seguidores abraçaram as cores da bandeira e fizeram dela mote de união pelo País, em manifestações públicas, carreatas e motociatas e, em breve, também nas campanhas para falar com seu eleitorado. Na política, há outras cores dos partidos e de seus candidatos. Talvez então no pleito não haja muito mal-estar no dia da escolha, se tiver, nos dois turnos.

Ocorre que no futebol não há essa “licença” de torcer para a seleção brasileira com outras cores. O ‘verde- amarelo’ é de todos nós, bolsonaristas ou não e, de forma alguma, pode haver qualquer sentimento constrangedor de vesti-lo. Há até outras cores de camisa, como a azul e a branca, mas a amarela é a de maior tradição. É como o laranja da Holanda. 

Fosse a Copa na mesma data que a competição geralmente acontece, em julho e agosto, a confusão estaria armada. Os assuntos se misturariam naturalmente. Claro, porque enquanto o time de Tite estaria tentando no Catar sua sexta conquista, no Brasil, os candidatos estariam de vento em popa atrás dos votos, em campanhas que, como sabemos, não costumam ser respeitosas.

Não há como não misturar política e futebol, embora muitos acreditam no contrário. Penso que política se mistura com tudo, como temos acompanhado. Ela invadiu lares, destruiu famílias, rompeu amizades, esteve no centro das discussões sobre a vacinação da covid-19 e dividiu os fiéis. O futebol, salvo manifestações esporádicas, preservou sua posição silenciosa sobre tudo. A turma da bola se fechou em sua bolha e tocou a vida. Quem quebrou essa postura, por incrível que parece, foi o técnico Tite, logo ele, o mais interessado no hexa no Catar. 

O treinador vai manter sua posição da Copa da Rússia, de não dar as caras em Brasília ganhando ou perdendo o torneio dos sete jogos. Dia 18 de dezembro, quando o torcedor conhecerá o campeão do mundo, as bandeiras verde e amarela já estarão tremulando na política brasileira, seja quem for o eleito em outubro. l 

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