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Brasil comemora 40 anos da conquista do tricampeonato

Seleção brasileira derrotou na final a Itália por 4 a 1 e foi considerada uma das melhores de todos os tempos

ANDRÉ RIGUE, estadão.com.br

21 de junho de 2010 | 06h36

O Brasil comemora nesta segunda-feira 40 anos da conquista do tricampeonato de 1970. Um feito memorável para a história do futebol mundial, que coroou uma geração de grandes talentos que tinha como principal maestro Pelé. Os campeões no México conversaram com o estadão.com.br e lembraram dos principais fatos que marcaram a arrasadora campanha.

 

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Apesar da gigantesca quantidade de craques no elenco, o Brasil chegou ao Mundial com grande desconfiança. Carregava o fracasso na Copa de 1966 e sofria com a turbulência da troca de comando. Zagallo assumiu pouco antes do torneio no México no lugar de João Saldanha, demitido por não aceitar as sugestões do ditador Médici.

 

Zagallo, no entanto, foi feliz ao encaixar Rivellino no time e o Brasil apresentou uma formação mortal. Ganhou na primeira fase da Tchecoslováquia (4 a 1), da Inglaterra (1 a 0) e da Romênia (3 a 2), em grupo considerado da morte. "O jogo contra os ingleses foi o mais difícil. Ganhamos no sofrimento com um gol do Jairzinho", lembra Zagallo.

 

Nas quartas de final o Brasil passou pelo Peru, de Didi, por 4 a 2. O rival das semifinais foi o Uruguai, e vitória por 3 a 1. No dia 21 de junho de 1970, a grande decisão contra a Itália no estádio Azteca. Show brasileiro com vitória por 4 a 1. A conquista do tri deu a posse da taça Jules Rimet em definitivo para o Brasil.

 

A participação de Jairzinho também foi decisiva para o Brasil. Ele simplesmente marcou gol em todos os jogos. "Foi um título muito gratificante", conta o "Furação da Copa". "Escrevi meu nome entre os maiores do mundo. Aquele foi o ano da minha coroação, e sou grato pelo reconhecimento", complementa o atacante.

 

Pelé é outro que não se cansa de lembrar da conquista de 1970. "Todos diziam que Pelé, Rivellino, Gerson e Tostão não poderiam jogar juntos. Mas encaixamos bem e a seleção foi considerada a melhor de todos os tempos. Hoje na Copa da África do Sul não vemos os mesmos talentos que passaram pelo México", afirma o "Rei do Futebol".

 

 Brasil Brasil4
Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivellino  ; Jairzinho, Tostão e Pelé
Técnico: Zagallo
 Itália Itália1
Albertosi; Burgnich  , Cera, Rosato e Facchetti; De Sisti, Bertini (Juliano) e Mazzola; Domenghini, Bonisegna (Rivera) e Riva
Técnico: Ferruccio Valcareggi
Gols: Pelé, aos 18, e Bonisegna, aos 37 minutos do 1.º tempo; Gérson, aos 20, Jairzinho, aos 25, e Carlos Alberto Torres, aos 42 minutos do 2.º tempo

Árbitro: Rody Glockner (Alemanha Ocidental)

Estádio: Azteca, na Cidade do México (MEX)

Capitão da seleção na época, Carlos Alberto Torres destacou a preparação física. "A seleção brasileira inovou. Sabíamos que precisávamos nos preparar bem. Foi a primeira Copa em que o Brasil se preocupou com a parte física [Parreira era o preparador]. O futebol de porrada de 1966 ainda estava na nossa cabeça, e nós sabíamos que precisávamos de algo diferente."

 

E de fato o Brasil foi mágico. Aliado à boa forma física, os brasileiros atropelaram a Itália na decisão, com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Torres. "O que mais me marcou naquela Copa foi a mudança tática. Eu coloquei quatro jogadores dentro de campo que poderiam ser o camisa 10. A seleção jogou num bloco, atacávamos com sete. Era um grande time", analisa Zagallo.

 

De todas as peças, o goleiro Félix viveu um conto de fadas. Muito criticado, ele deu a volta por cima. "Esse título marcou a minha vida", conta. "Sempre fui o mais criticado da seleção. Mas consegui me consagrar como um dos melhores do mundo. É uma satisfação muito grande ver que o Brasil continua a ter grandes goleiros atualmente, como o Julio Cesar".

 

OS CAMPEÕES DE 1970

Goleiros: Félix, Ado e Leão.

Zagueiros: Brito, Piazza, Baldocchi, e Fontana.

Laterais: Carlos Alberto Torres, Marco Antônio, Everaldo e Zé Maria.

Volantes: Clodoaldo e Joel.

Meias: Gérson, Rivellino e Paulo César Caju.

Atacantes: Jairzinho, Tostão, Pelé, Roberto, Edu e Dadá Maravilha.

Técnico: Zagallo.

 

 

 

 

 

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