Pavel Golovkin/AP
Pavel Golovkin/AP

Brasil conhece nesta sexta seu caminho para o hexa na Copa da Rússia

Enquanto a Fifa usa evento para desviar atenção dos julgamentos por corrupção em Nova York, seleção conhecerá seus adversários no Mundial

Jamil Chade, enviado especial a Moscou, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2017 | 23h59

Com Pelé e Maradona na mesma sala, a Fifa quer transformar o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2018 numa demonstração de que superou suas crises e divisões e ainda pretende abafar a proliferação de denúncias de corrupção vindas dos tribunais de Nova York. Para isso, contará com a ajuda de Vladimir Putin, presidente da Rússia, que garantiu blindagem total aos dirigentes convidados, assim como um volume inédito de recurso público para organizar um Mundial de futebol.

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O pontapé inicial da Copa será o sorteio das chaves, realizado no suntuoso Palácio do Kremlin, nesta sexta-feira às 13h (horário de Brasília). Seu resultado vai desenhar o caminho pelo qual o Brasil terá de tomar para tentar alcançar o hexacampeonato, objetivo fracassado em 2014. Além dos três rivais iniciais, o sorteio também definirá por quantas cidades a seleção terá de passar.

O Brasil, porém, será um dos poucos times classificados para a Copa sem a presença do presidente de sua federação. Marco Polo Del Nero, indiciado nos EUA e citado semanalmente pelas testemunhas em Nova York por crimes de corrupção, optou por não viajar à Rússia.

Edu Gaspar, coordenador de seleções, admitiu nesta semana a ansiedade para conhecer o resultado do sorteio. Será a partir disso que a CBF montará seu plano definitivo para os próximos seis meses, inclusive com a escolha de amistosos contra seleções similares aos adversários. “Não temos nenhuma experiência em Copa”, admitiu o novato coordenador. “Mas sabemos que temos de estar bem, conscientes de nossas responsabilidades”, disse, indicando que passou semanas estudando o que ocorreu com a seleção brasileira em 2006, 2010 e 2014.

Nesta primeira fase, o Brasil pode pegar de cara seleções fortes como Espanha ou Inglaterra e poderá ter cruzamentos perigosos com outras potências. Cafu, um dos escolhidos da Fifa para ajudar na festa, não vê problemas em enfrentar seleções de peso. Para o capitão do penta, “isso faria bem para o grupo”. Entre os treinadores que circulam por Moscou, o sentimento varia entre aqueles que simplesmente estão contentes de terem chegado ao Mundial de 2018, como os de Panamá e Islândia, e outros já traçando seus planos na busca do troféu.

Mas, se é o sorteio que determinará os rumos de cada seleção, os organizadores tomaram todas as medidas necessárias para garantir que o evento seja uma demonstração de força, tanto da Fifa quanto da Rússia.

Para isso, Gianni Infantino, presidente da Fifa, em sua primeira Copa, fez questão de levar até Moscou algumas das maiores lendas do futebol, justamente para mostrar que o futebol havia sido retomado. Como um símbolo de união, a Fifa reuniu os dois melhores jogadores da história: Pelé e Maradona. Rivais históricos, sua união será usada como sinal de que a “família do futebol” colocou fim às divisões.

A entidade também estima que vai terminar o ano com sua meta de arrecadação alcançada, com receita de US$ 5,6 bilhões (R$ 18,3 bilhões). O volume é recorde, mas representa um crescimento marginal em comparação ao resultado de 2014.

VITRINE

Na tribuna de honra do Kremlin, outros 6 mil convidados da elite russa, ministros e o próprio Putin acompanharão a cerimônia. Para isso, não houve economia. No total, a Copa do Mundo custará US$ 10,8 bilhões (R$ 35,4 bilhões), um recorde absoluto. Na competição de 2014, o Brasil destinou R$ 27,1 bilhões ao evento no País.

O imponente hotel de luxo usado pela Fifa em Moscou era o retrato dos interesses políticos por trás dos gastos russos com o evento. Nos últimos dias, o lobby foi tomado por prefeitos, políticos e governadores locais, cada qual com sua pequena milícia de seguranças. Dirigentes, ironicamente, apontavam que era ali que estava acontecendo a “verdadeira Copa” para os russos, com acordos comerciais e barganhas políticas. E tudo isso sem sorteio.

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