Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Brasil dá show, faz 3 a 0 na Argentina e Mineirão grita 'olé'

Seleção brasileira ignora 'fantasma' do 7 a 1, tem atuação de gala e chega a cinco vitórias com Tite

Marcio Dolzan, enviado especial a Belo Horizonte, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2016 | 23h50

A festa que havia sido agendada para o Mineirão em 8 de julho de 2014 e que terminou num fiasco retumbante, finalmente foi realizada nesta quarta-feira, 10 de novembro de 2016. No palco dos 7 a 1, o Brasil de Neymar se impôs sobre a Argentina de Messi, venceu por 3 a 0 e ficou muito próximo de garantir uma vaga na Copa do Mundo de 2018.

De outra forma, o número que atormenta o futebol brasileiro desde a semifinal da Copa do Mundo de 2014 esteve de volta na noite desta quarta. Foram sete os grandes momentos da partida. E a maioria deles protagonizada pelas duas maiores estrelas em campo, Messi e Neymar.

Os três primeiros lances memoráveis do jogo vieram da chapelaria aberta pela dupla de atacantes do Barcelona. Logo aos 4, Messi recebeu na intermediária de ataque e partiu para a área dando um chapéu em Fernandinho, que não teve outra coisa a fazer a não ser parar o argentino com falta. Menos de cinco minutos depois, o camisa 10 da seleção argentina repetia a dose, mas acabou atingido no rosto por Fernandinho. O volante brasileiro foi punido com amarelo.

Aí foi a vez de Neymar começar a brilhar. O atacante que era o dono do flanco esquerdo e vinha sendo perseguido sempre por pelo menos dois marcadores decidiu tentar passar por um deles por cima, e com um lindo toque encobriu Biglia. O Mineirão foi ao delírio.

Tantos lances bonitos, contudo, careciam de objetividade. O Brasil só foi chutar a gol depois dos 20, numa conclusão sem perigo de Renato Augusto. Do outro lado, a Argentina, que jogara no campo de ataque durante o primeiro terço do jogo, só obrigou Alisson a trabalhar de fato no minuto seguinte.

Foi então que Phillppe Coutinho quis participar da festa. Aberto até então pela direita, o jogador inverteu de lado e foi jogar próximo a Neymar. Foi a partir do flanco esquerdo que o meia do Liverpool protagonizou o quarto lance bonito do jogo. Ele recebeu passe de Neymar, passou por dois marcadores, levantou a cabeça e colocou a bola em curva no ângulo esquerdo de Romero, fazendo 1 a 0.

O gol àquela altura fazia justiça à seleção que mostrava maior desenvoltura ofensiva. Porque a badalada Argentina era um time de um atacante só, o craque Messi. Higuaín estava perdido entre Miranda e Marquinhos. Enzo Perez, por sua vez, estava perdido em campo.

Já o trio de ataque brasileiro estava mais à vontade. Com Neymar soberano de um lado e Philippe Coutinho eficiente de outro, Gabriel Jesus decidiu ser garçom pelo meio. Foi dele o quinto lance que merece destaque no jogo. No último minuto do primeiro tempo, o atacante do Palmeiras recebeu de costas para o gol, girou o corpo e entregou a bola de bandeja para Neymar escolher o canto e ampliar.

REDENÇÃO

Personagem dos 7 a 1 que amargura – ele foi um dos três jogadores em campo ontem à noite que estiveram na semifinal da Copa –, Paulinho protagonizou o sexto lance que levantou a torcida no Mineirão. Já no segundo tempo, o volante que é contestado por parte da torcida e tem toda a confiança do técnico Tite estava no meio da área Argentina para fazer 3 a 0, após aparar passe de Renato Augusto. Na comemoração, correu para o reservado e levou incontáveis tapinhas dos companheiros – foram mais de sete.

Por fim, a ovação a Tite. O técnico que tinha por missão tentar parar Lionel Messi teve seu nome gritado em uníssono pela torcida. Na véspera, Tite afirmara que não tinha medo do Mineirão. O Brasil mostrou que não precisa ter mesmo e o Mineirão gritou olé.

FICHA TÉCNICA

Gols: Philippe Coutinho, aos 24, e Neymar, aos 45 minutos do primeiro tempo. Paulinho, aos 13 minutos do segundo tempo.

BRASIL: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda (Thiago Silva) e Marcelo; Fernandinho; Renato Augusto, Paulinho, Philippe Coutinho (Douglas Costa) e Neymar; Gabriel Jesus (Roberto Firmino). Técnico: Tite.

ARGENTINA: Sergio Romero; Zabaleta, Otamendi, Funes Mori e Más; Mascherano, Biglia e Pérez (Aguero); Messi, Higuaín e Di María (Angel Correa). Técnico: Edgardo Bauza.

Juiz: Julio Bascuñan (CHI).

Cartões amarelos: Fernandinho, Marcelo (2.º), Funes Mori, Otamendi e Biglia.

Público: 53.490 presentes.

Renda: R$ 12.726.250,00.

Local: Mineirão, em Belo Horizonte.

 

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