Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Brasil deixa a Copa América afundado em dúvidas sobre o futuro

Seleção busca um elenco defintivio e fim da dependência a Neymar

Estadão Conteúdo

28 de junho de 2015 | 08h52

Dunga voltou para a seleção brasileira com a meta de levantar uma equipe com o psicológico destruído pela humilhação nas semifinais da Copa do Mundo. Depois de ser eliminado pelo Paraguai nas quartas de final da Copa América, a equipe dá adeus ao Chile com mais perguntas do que respostas e uma dependência preocupante da sua estrela Neymar.

Sem personalidade, a seleção pentacampeã mundial caiu neste sábado na disputa dos pênaltis para o Paraguai, o mesmo oponente que a eliminou nas quartas de final dessa mesma Copa América há quatro anos na Argentina.

A equipe chegou ao torneio com uma série de dez vitórias desde que Dunga assumiu a seleção após a derrocada na Copa de 2014, quando caiu por 7 a 1 para a Alemanha nas semifinais. Mas esse bom momento acabou no Chile. "Há sempre pressão quando você ganha. Quando você perde, ainda mais", disse Dunga.

O Brasil sofreu para vencer o Peru por 2 a 1 no primeiro jogo, sendo carregado por Neymar, autor de um gol e de uma assistência, nos acréscimos. Depois, perdeu por 1 a 0 para a Colômbia, naquele que foi o último jogo do astro do Barcelona, suspenso por quatro partidas por agredir jogadores colombianos e insultar o árbitro no túnel.

A seleção derrotou a Venezuela por 2 a 1 no fechamento da fase de grupos, em mais uma vitória enganosa se for levado em conta que quase os adversários empataram o duelo nos minutos finais. O veterano Robinho e Philippe Coutinho ficaram aquém na tarefa de carregar o ataque brasileiro, sem ideias na criação e anêmica na definição.

"Lógico que Neymar é importante, mas temos jogadores de qualidade, bons jogadores. Falta um pouco de experiência na Copa América e na Libertadores", disse Dunga. "É por isso que este torneio é importante, para irmos nos ambientando ao que são as Eliminatórias".

Se jogadores com Fred e Hulk ficaram devendo na Copa, novas promessas como Douglas Costa e Roberto Firmino, recém-contratado pelo Liverpool, não parecem ser a solução. "O Brasil teve grandes seleções e passou 40 anos sem ganhar uma Copa América. Nós viemos sem jogadores experientes, que teriam sido importantes", disse Dunga.

Willian, meia do Chelsea, foi um dos poucos que se salvaram em uma equipe do Brasil que, assim como no ano passado, fez água na defesa. Thiago Silva cometeu o pênalti que levou o Paraguai a arrancar o empate e David Luiz falhou em várias ocasiões.

A CBF já decidiu que Dunga continuará no comando do time. Após ganhar a Copa América em 2007, o treinador foi demitido na sua primeira passagem pela seleção depois da queda nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Mas além do comando técnico, a seleção tem que resolver a sua dependência de Neymar. O Brasil entrou em colapso na depois que o atacante se lesionou nas quartas de final da Copa do Mundo contra a Colômbia e ficou sem criatividade após a sua suspensão no Chile.

"Temos de pensar o futebol brasileiro, não se pode deixar de notar que muitas seleções melhoraram", disse Dunga. "Temos que trabalhar muito. Sabemos que temos que melhorar", concluiu.

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