Maurícia da Matta/Divulgação
Maurícia da Matta/Divulgação

Brasil deixa ‘rivais’ do grupo da Copa com o coração dividido

Petkovic, Alexandre Guimarães e Léo Lacroix, ligados à Sérvia, Costa Rica e Suíça, comentam sobre o grupo da seleção

Gabriel Melloni, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2017 | 07h00

Suíça, Costa Rica e Sérvia. Foram estes os países que o sorteio da Copa do Mundo da Rússia colocou no caminho do Brasil no Grupo E. Para três personagens, a formação da chave trouxe a estranha sensação de “coração dividido”. O ex-meia Petkovic, o técnico Alexandre Guimarães e zagueiro Léo Lacroix, todos com um pé no Brasil, terão de enfrentar a seleção de Tite e Neymar na Rússia.

Grupo do Brasil na Copa tem Suíça, Costa Rica e Sérvia

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Nascido em Lausanne e filho de uma mineira de Nanuque, Léo Lacroix é zagueiro da seleção suíça e pode até estar em campo diante do Brasil na estreia das equipes, dia 17 de junho, em Rostov. Frequentemente convocado ao longo da caminhada do time nas Eliminatórias Europeias, o jogador do Saint-Étienne, da França, celebrou bastante a oportunidade de encarar aquele que também considera seu País, o Brasil.

“Fiquei muito feliz que a Suíça esteja no grupo do Brasil. Agora, é trabalhar para estar entre os 23 convocados”, comentou ao Estado. “Tenho um lado brasileiro porque falo português em casa, gosto de churrasco, de pagode, da resenha, casa cheia, diversão. Mas também sou suíço, gosto das coisas todas organizadas, certinhas.”

A ligação com o Brasil influenciou no gosto do zagueiro de 25 anos pelo futebol, tanto que ele se tornou flamenguista de coração. E por mais que possa estar do outro lado do campo, Léo não esconde sua admiração pelo time de Tite. Disse até torcer por um empate. “O Brasil é uma seleção muito poderosa, que conseguiu ressuscitar. O Tite fez um excelente trabalho. Por enquanto, vamos torcer para que seja um empate, igual aconteceu na Copa de 1950: 2 a 2.”

Quando o Brasil enfrentar a Costa Rica, dia 22, em São Petersburgo, será a vez de Alexandre Guimarães ficar dividido. Nascido em Maceió, ele construiu sua carreira como jogador na Costa Rica, se naturalizou e até disputou o Mundial de 1990, na Itália, pelo país. Anos mais tarde, em 2002, comandou os costa-riquenhos na Copa da Coreia do Sul e do Japão, a do penta. Nas duas ocasiões, teve de enfrentar a seleção brasileira.

Agora, a situação é diferente e Alexandre estará apenas na torcida, que ele admite que será pela Costa Rica. E por um motivo bem especial: seu filho, Celso Borges, é meia da seleção do país. “Que pai não torce pelo filho?”, questionou o treinador. “Eu nasci no Brasil, tenho família no Brasil, mas a minha vida foi feita na Costa Rica. Foi um país que me deu tudo em termos de realização profissional e pessoal. Agora, me dá a oportunidade de ver um filho representar sua nação contra o país de nascimento do pai. É muito legal e também esquisito que a vida tenha, através do futebol, colocado minha família nessa situação ambígua”, comentou.

O último adversário do Brasil na fase de grupos da Copa será a Sérvia, dia 27, em Moscou. E se ambas as seleções vencerem seus dois primeiros jogos, chegarão para esse duelo já classificadas. É justamente esta a torcida de Petkovic, ex-meia da Sérvia, que escolheu o Brasil como segunda pátria após anos atuando no País, principalmente no Flamengo, onde é ídolo.

“Haja coração para esta partida! Seria importante se as duas seleções fizessem o dever de casa e ganhassem os primeiros dois jogos, para que este duelo não tenha nenhuma importância. Aí, seria feliz, não teria a possibilidade de alguma delas não se classificar”, projetou Pet.

Petkovic atuou em sete clubes brasileiros e ainda treinou outros quatro após deixar os gramados. Ele também mostrou sua admiração pela seleção de Tite, mas fez questão de elogiar seus compatriotas. “Há alguns jogadores sérvios que podem desequilibrar. O Tadic pode fazer boa Copa, assim como Mitrovic, Kostic, Matic... E a zaga sempre foi forte. Vamos ver. Espero que todo mundo esteja em forma, porque vamos precisar para passar no grupo”.

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