Brasil derrota Equador por 1 a 0

Os torcedores amazonenses, e milhares de outros Brasil afora, esperavam um espetáculo nesta quarta-feira à noite, no estádio Vivaldão. Afinal, no gramado estaria a seleção que pouco mais de um ano atrás conquistou o pentacampeonato mundial ? apenas Dida, que estava no banco, Emerson e Zé Roberto não jogaram naqueles 2 a 0 finais contra a Alemanha em 2002 ? e que três dias antes havia estreado nas Eliminatórias com uma vitória convicente sobre a Colômbia. Só que, desta vez, a seleção brasileira não convenceu. Jogou um mau futebol e não conseguiu ir além de uma mirrada vitória por 1 a 0 sobre a limitada seleção do Equador. Uma vitória que valeu pelos três pontos, como se diz no futebol. Até porque serviu para isolar o Brasil na liderança das Eliminatórias sul-americanas, com 6 pontos em duas partidas. Mas não há como negar que a seleção ficou devendo. E foi justamente vaiada pelos torcedores, muitos deles certamente os mesmos que, no dia anterior, haviam contribuído para que o treino do time dirigido por Carlos Alberto Parreira se transformasse numa declaração de amor aos jogadores. O que deu errado nesta quarta-feira? Quase tudo. A começar pelos ?chatos? equatorianos, que decidiram não cometer o mesmo erro dos colombianos, que no domingo deram todo o espaço do mundo ao Brasil. O Equador marcou forte e a seleção pentacampeã se complicou. Faltou criatividade e, pior, iniciativa para furar a retranca adversária. O Brasil não deixou de usar uma das alternativas previstas por Parreira na véspera da partida, que foi ?abafar? a saída de bola do Equador. Foi assim, aliás, que conseguiu seu gol, aos 12 minutos do primeiro tempo. Gilberto Silva roubou uma bola perto da entrada da área adversária e tocou para Roberto Carlos. O lateral cruzou e Ronaldinho Gaúcho dividiu com o zagueiro equatoriano. A bola bateu no corpo do brasileiro e entrou. Detalhe: a conclusão de Ronaldinho ? um dos poucos jogadores da seleção a ?procurar o jogo? ? foi uma das duas do Brasil no primeiro tempo (o Equador concluiu seis vezes). A outra aconteceu aos 44 minutos do primeiro tempo, após uma jogada que seria uma das alternativas da seleção para furar o bloqueio dos rivais: o drible. Rivaldo passou por três marcadores, tabelou com Ronaldo, recebeu à frente e chutou para o desvio do goleiro Cevallos ? o juiz deu tiro de meta. Estava ruim e ficou pior na etapa final. Quer dizer, não ficou porque o venezuelano Luis Vladimir Sólorzano colaborou com o Brasil ao não dar um pênalti claro de Roque Júnior em Reasco aos 4 minutos ? e ainda deu cartão amarelo ao equatoriano. Outro problema: a seleção não mostrou poder de reação. Parreira repetiu o que fez contra a Colômbia, colocando Renato e Kaká em campo ? quando o jogador do Milan entrou no lugar de Ronaldinho Gaúcho, aos 22 minutos, o técnico foi chamado de ?burro?. O Brasil melhorou, até porque Kaká fez o que a seleção precisava, ou seja, tomou a iniciativa de buscar as jogadas. Assim, algumas chances foram criadas e Ronaldo conseguiu aparecer. Mas o time não merecia mesmo mais do que o 1 a 0. Se é que mereceu. Fim de jogo, as desculpas de sempre: o adversário só se preocupou em marcar, o calor estava infernal, não é todo dia que se joga bem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.