Ivan Alvarado/Reuters
David Luiz e Willian devem ser titulares contra os chilenos Ivan Alvarado/Reuters

Brasil desafia o Chile em estreia nas Eliminatórias

Seleção inicia caminhada rumo à Copa de 2018 sob desconfiança

Almir Leite, enviado especial a Santiago, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 07h00

Sem Neymar, sua principal estrela e a rigor seu único craque, e sob desconfiança da torcida depois de fracassos recentes tanto no Mundial como na Copa América, a seleção brasileira dá início hoje à longa caminhada para a Copa de 2018, na Rússia. E o primeiro desafio já será muito duro: o adversário é o Chile, atual campeão continental, às 20h30 no Estádio Nacional de Santiago, que deverá ter todos os 46.500 lugares tomados pelos torcedores.

Preocupação, ansiedade, mas também uma boa dose de otimismo marcaram a preparação do Brasil para a estreia. O técnico Dunga optou por montar um grupo experiente para esta largada – aproveitou cortes que foi forçado a fazer para convocar jogadores mais rodados – e garantiu que o time, mesmo com a pressão esperada por parte do Chile, não vai se limitar a se defender.

"O futebol moderno mostra que só se defender não dá certo, com a qualidade que têm os atacantes, com os contra-ataques rápidos... Tem de atacar o adversário também", disse Dunga. "Se ficar só se defendendo, uma hora o adversário te acerta", completou, comparando o futebol ao boxe.

Dunga pretende que o Brasil seja uma equipe compacta, que vai procurar tirar os espaços do adversário e atacar em velocidade. Ele assumiu a seleção logo depois da Copa do Mundo e até aqui a dirigiu em 16 partidas – 14 vitórias, um empate e uma derrota. Mas foi mal na Copa América e estreia nas Eliminatórias com uma escalação bastante semelhante à que, nas mãos de Felipão, fracassou no Mundial.

Do time que Dunga deverá mandar a campo nesta quinta, apenas o goleiro Jefferson, o zagueiro Miranda, o lateral-esquerdo Filipe Luís e o atacante Douglas Costa não jogaram na Copa do Mundo (Jefferson foi reserva). Todos os outros atuaram, a maioria deles como titular. E Neymar só não joga esta noite por estar suspenso.

O treinador tenta encarar com naturalidade a desconfiança geral com o time, e com seu próprio trabalho. Mas sabe que só existe uma maneira de mudar o quadro e conseguir credibilidade: "Só com vitórias, só ganhando. Sempre foi assim, com todos os treinadores, todas as seleções", afirmou.

No entanto, pediu paciência e apoio da torcida. "O jogador precisa de apoio, carinho, principalmente no momento que o jogo não estiver encaixando. Peço ao torcedor que entenda e tenha paciência para empurrar o time."

PRAGMATISMO

Apesar de as vitórias serem o melhor caminho para "ganhar a torcida" e da promessa de que o time também buscará atacar, o empate na estreia não será desprezado pela seleção. "O principal é vencer, mas é importante somar o máximo de pontos possível. Considerando a força e a qualidade do adversário, se não der para vencer, o empate já é um bom começo", admitiu o capitão Miranda, deixando claro o pragmatismo da atual seleção brasileira.

O discurso de que essas serão as eliminatórias mais difíceis da história é unânime entre atletas e a comissão técnica. "Existem oito ou nove seleções em condições de brigar pelas vagas na Copa", exagerou Miranda. Por isso, ele defende ser importante, nessa disputa que vai até 2017, utilizar a clássica fórmula de vencer jogos em casa e pontuar o máximo possível fora.

O lateral-direito Daniel Alves, no entanto, é um pouco mais ambicioso. Ele não despreza o empate, mas entende ser importante estrear com vitória por vários motivos – que passam por obter credibilidade diante da torcida e por aumentar a confiança da própria seleção. Por isso, ele considera bom negócio ter uma espécie de teste de fogo nesta estreia contra o Chile.

"É um grande teste, porque o Chile está em seu melhor momento e enfrentar um time assim vai ser bom para a gente ver em que nível estamos", entende o jogador do Barcelona.

A possível ausência de Arturo Vidal na equipe chilena hoje é tratada sem muita empolgação pelos brasileiros. "Para nós não fará diferença, pois estamos preparados para enfrentar uma equipe e não um jogador", disse Miranda.

FICHA TÉCNICA

CHILE X BRASIL

CHILE - Cláudio Bravo; Medel, Silva e Jara; Isla, Díaz, Vidal (Valdés), Valdivia e González; Alexis Sánchez (Orellana) e Vargas. Técnico: Jorge Sampaoli.

BRASIL - Jefferson; Daniel Alves, Miranda, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Fernandinho, Willian, Oscar e Douglas Costa; Hulk. Técnico: Dunga.

JUIZ - Roody Zambrano (Equador)

LOCAL - Estádio Nacional, em Santiago (Chile).

HORÁRIO - 20h30.

TRANSMISSÃO - Globo e SporTV.

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Seleção brasileira vai a campo sem experiência nas Eliminatórias

Poucos jogadores do plantel atual já atuaram na disputa

O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 07h00

Dos 23 jogadores convocados por Dunga para este início de Eliminatórias, apenas seis já têm experiência na competição: Daniel Alves, Miranda, Filipe Luís, Marcelo, Kaká e Ricardo Oliveira. Mas, a rigor, a experiência deles não é tão grande assim. Com exceção do meia que hoje joga com Orlando City dos Estados Unidos, que soma 26 jogos e dez gols, todos os outros atuaram bem pouco em partidas que valiam vaga em Copas do Mundo.

Daniel Alves, por exemplo, o segundo colocado nesse ranking, tem apenas nove jogos por Eliminatórias – disputou a seletiva para a Copa de 2010, na África do Sul –, e na maioria deles foi reserva. Hoje capitão da seleção, Miranda jogou em três oportunidades em 2009: contra Peru, Bolívia e Venezuela, as três mais fracas seleções sul-americanas.

Filipe Luís e Marcelo têm um jogo cada, contra Venezuela e Equador, respectivamente, na corrida pelo Mundial sul-africano. Ricardo Oliveira fez duas partidas em 2005, um ano antes da Copa da Alemanha. Começou um jogo com o Uruguai em Montevidéu e depois entrou durante um 4 a 1 sobre o Paraguai.

Ricardo Oliveira ainda lembra o que aprendeu naqueles dois jogos. “Esse tipo de competição é completamente diferente. Disputei em 2005 e sentia a diferença quando vinha da Europa’’, disse o artilheiro do Brasileiro com 17 gols.

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Jorge Sampaoli diz que respeita time de Dunga antes do confronto

Treinador reconhece que estrear contra o Brasil é o pior cenário

O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 07h00

O técnico do Chile, Jorge Sampaoli, foi taxativo: a pior coisa que poderia acontecer para sua equipe neste momento é estrear nas Eliminatórias contra o Brasil. Ele tem problemas para montar seu time - Vidal, com inflamação no joelho direito, é a grande dúvida e o volante Aranguíz, destaque na seleção na Copa América, está fora por causa de lesão no tendão de Aquiles - e teme que um tropeço possa frear o entusiasmo pela conquista do título continental.

“Começar as Eliminatórias contra o Brasil é o pior cenário. Continua sendo a maior potência do mundo. Apesar das críticas, vamos enfrentar jogadores de elite", justificou.

Sampaoli, que também tem dúvidas sobre escalar Sanchez (dores na virilha) considera a seleção de Dunga um adversário terrível por seu poder de superação. “Mesmo quando não está jogando bem, o Brasil é capaz de em algum momento da partida criar uma boa grande jogada e chegar à vitória." Mostra disso, exemplifica, é o fato de Dunga ter aproveitamento superior a 85% na seleção.

Para o argentino, a seleção brasileira vai se classificar “com toda certeza" para a Copa do Mundo da Rússia. Ele ficou um pouco incomodado ao ser questionado sobre o fato de o Chile não vencer o Brasil há 15 anos. “É verdade, mas se você for ver, praticamente todas as seleções do mundo têm dificuldade para vencer o Brasil".

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