Eduardo Nicolau/Estadão
Eduardo Nicolau/Estadão

Brasil e Bélgica vão colocar poderio à prova em duelo nas quartas de final

Seleções terão seu primeiro 'teste de fogo' em confronto na sexta-feira

Almir Leite e Ciro Campos, enviados especiais / Samara, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 00h00

Está marcado para sexta-feira um encontro bastante esperado no futebol mundial. A equipe mais tradicional da história das Copas do Mundo, dona de cinco títulos mundiais, terá pela frente o elenco mais emergente dos últimos anos e tido como um dos mais talentosos do mundo. O confronto em Kazan vale para Brasil e Bélgica a segunda vaga nas semifinais da competição – e, de certa forma, também o certificado de potência na Rússia. Para o Brasil, será o duelo mais equilibrado dada a quantidade de bons jogadores belgas. Espécie de fogo contra fogo.

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O poderio de ambas as seleções será testado em uma partida que marca o primeiro grande teste nesta Copa. Embora tenha vencido a Inglaterra por 1 a 0 na primeira fase, a Bélgica conquistou o resultado em uma partida mais tranquila, com muitos reservas em campo nos dois times e sem o peso de um jogo eliminatório. Afinal, Bélgica e Inglaterra já estavam classificados para as oitavas e buscavam definir apenas o primeiro e o segundo lugares do Grupo G.

O Brasil chega ao confronto sem ter enfrentado um rival de primeira linha. Na etapa inicial, o adversário mais difícil do time de Tite foi a Suíça, uma equipe qualificada, mas sem o mesmo peso ofensivo da Bélgica. Costa Rica, Sérvia e México, derrotado nesta segunda-feira por 2 a 0, em Samara, também não se encontram no mesmo patamar.

Os Diabos Vermelhos fecharam a etapa de grupos como a melhor campanha do Mundial e, nos últimos tempos, receberam elogios do técnico Tite pela qualidade técnica de seus atletas. No entanto, a mesma Bélgica das jogadas criativas de Hazard, dos passes e visão de jogo do meia De Bruyne e das finalizações de Lukaku é também uma equipe com fama de “amarelar”. Na última Eurocopa, em 2016, na França, a seleção decepcionou ao perder para a Itália na fase de grupos e cair nas quartas diante do País de Gales. A eliminação custou o emprego do antigo treinador, Marc Wilmots. Porém, a virada sobre o Japão por 3 a 2, nesta segunda, nas oitavas da Copa da Rússia, deu indícios de um elenco mais determinado a sair do “quase”.

O time tem média de idade de 27 anos e é fruto de um amplo trabalho de reestruturação do futebol nacional. A eliminação precoce na fase de grupos da Eurocopa de 2000, sediada em conjunto por Bélgica e Holanda, fez a federação do país procurar desenvolver talentos. Uma das medidas foi fixar o esquema tático de 4-3-3 em todas as categorias de base. O trabalho começou a render frutos quando o time atual começou a ficar mais maduro. A base joga junta há anos e, em 2014, levou a Bélgica de volta a uma Copa depois de 12 anos de espera. A campanha parou nas quartas diante da Argentina e da própria falta de experiência. O elenco admitiu ter sentido a dificuldade e o peso de um torneio tão importante e inédita.

 

BARREIRAS LINGUÍSTICAS

O grupo dirigido pelo técnico espanhol Roberto Martínez é uma exceção na história do futebol do país por ter superado desavenças internas. Por ter o idioma francês (Valônia) e holandês (Flamengo), a seleção teve no passado problemas e intrigas oriundas de rivalidades internas. Alguns jogadores não se falavam por não conseguir entender a língua do compatriota.

A atual geração superou essa barreira ao adotar no cotidiano o inglês, oriundo da vivência da grande maioria na Premier League. O elenco, inclusive, juntou diferentes etnias e mostrou ao país uma Bélgica multiétnica e miscigenada. A equipe bateu o Japão nas oitavas com gols de dois descendentes de marroquinos (Fellaini e Chadli), tem no ataque o filho de congoleses Lukaku e no meio de campo está Witsel, cuja família veio da Martinica.

Terceira colocada no ranking da Fifa, apenas uma posição atrás do Brasil, a Bélgica mostrou um ataque poderoso, com 12 gols marcados em quatro partidas. Não está para brincadeira. Por outro lado, demonstrou problemas defensivos, principalmente contra o Japão. O principal teste para o Brasil é encontrar um rival com qualidade técnica parecida e atletas de repertório variado de jogadas. Só que o Brasil também não fica atrás. O confronto só foi realizado uma vez na história das Copas. Em 2002, pelas oitavas, a equipe de Luiz Felipe Scolari ganhou por 2 a 0, gols de Rivaldo e Ronaldo. Foi ano de taça.

 

 

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