Brasil é campeão Mundial Sub-20

De maneira incontestável a seleção brasileira sub-20 sagrou-se tetracampeã Mundial ao vencer a Espanha, por 1 a 0, hoje, nos Emirados Árabes, no Estádio Zayed. Com o triunfo, o Brasil se igualou em número de títulos na categoria com a Argentina, que liderava isoladamente, e conquistou a "tríplice coroa" do futebol, por ser o atual campeão da Copa do Mundo e da divisão sub-17. "Toda final implica uma responsabilidade. E reconheço que hoje não foi a nossa melhor atuação", disse o técnico Marcos Paquetá, que se tornou o primeiro treinador a ganhar no mesmo ano dois títulos mundiais por categorias diferentes. "Mas provamos dentro de campo que somos os melhores e o nosso desempenho foi melhorando a cada confronto." Desde o início da partida, a seleção dominou os espaços em campo e, de tanto pressionar, logo aos três minutos do primeiro tempo, o zagueiro Melli foi obrigado a fazer uma falta no atacante Nilmar e acabou expulso pelo juiz italiano Roberto Rosetti. "Cada vez que jogamos contra um adversário com dez homens sempre é uma partida difícil", frisou o técnico da seleção sub-20. A vantagem facilitou a armação de jogadas de ataque que foram sendo sucessivamente desperdiçadas. Aos cinco minutos, o lateral-direito Daniel aplicou um chute de bicicleta na bola, que bateu no travessão após ser defendida pelo goleiro Riesgo. Em seguida, foi a vez de Nilmar desperdiçar duas oportunidades e o zagueiro Adaílton acertar a bola novamente no travessão, em uma cabeçada. Com o passar do tempo, o Brasil diminuiu o ritmo, cadenciando a partida, esperando uma oportunidade para superar o forte bloqueio defensivo espanhol, que foi a melhor defesa da competição. O jogo de "paciência" praticado pela seleção, no entanto, permitiu à Espanha melhorar seu desempenho em campo. No segundo tempo, os espanhóis voltaram mais determinados e logo aos cinco minutos já haviam conseguido assustar por duas vezes o goleiro Jefferson, em chutes do meia Vitolo e do atacante Sérgio Garcia. Na seqüência, o atacante Kléber recebeu a bola na área, driblou o goleiro Riesgo, mas perdeu o ângulo para chutar a bola e não conseguiu concluir a jogada. O gol do título brasileiro começou a ser armado aos 25 minutos com a entrada do meia Fernandinho no lugar de Juninho. O jogador do Atlético-PR, de 18 anos, inaugurou o placar 17 minutos após sua entrada em campo, ao aproveitar uma cobrança de escanteio feita por Daniel, pela direita. Aos 44 minutos se envolveu em uma confusão com os jogadores espanhóis e foi expulso pelo árbitro, que encerraria a partida seis minutos depois. "O juiz tirou um jogador nosso porque quis compensar o erro cometido no início quando expulsou o Meli", observou Paquetá. Com pouco tempo de preparação do time, o caminho para a seleção chegar ao título começou de maneira conturbada, com uma vitória sobre o Canadá, por 2 a 0, sem a apresentação de um bom futebol. Na segunda partida, o Brasil empatou com a República Tcheca, por 1 a 1, e foi derrotado pela Austrália, por 3 a 2, terminando em segundo lugar no Grupo C. Mas foi na fase decisiva que o futebol da equipe começou a aparecer. Pela oitava-de-final vitória por 2 a 1, no gol de ouro, sobre a Eslováquia. Na etapa seguinte foi a vez de os japoneses serem massacrados por uma goleada por 5 a 1. E, na semifinal, quando o time exibiu o seu melhor futebol, derrotou a arquiinimiga Argentina, por 1 a 0. O título de hoje quebrou um jejum de dez anos do Brasil na categoria sub-20. Os outros triunfos do País foram em 1983 (México), 1985 (ex-União Soviética) e 1993 (Austrália). O desembarque dos campeões está prevista para domingo, no Aeroporto Internacional Tom Jobim. E dois brasileiros foram premiados individualmente por suas atuações no Mundial: o meia Dudu ganhou o título de segundo melhor jogador e a chuteira de bronze, como o terceiro melhor artilheiro. Já Daniel foi eleito o terceiro melhor atleta. Ismail Matar, dos Emirados Árabes, foi escolhido o melhor jogador e o americano Ed Johnson levou a chuteira de ouro, deixando o japonês Daisuke Sakata, com a prata. "O Brasil empatou com a República Checa e perdeu para Austrália e aí decidimos fazermos uma reunião. Isso foi decisivo para o título", explicou Dudu. "Fizemos críticas e nos perguntamos o que se passava. Com isso, aumentamos nossa união e motivação."

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