Peter Powell/EFE
Peter Powell/EFE

'Brasil e Espanha são favoritos, mas podemos atrapalhar', diz Lugano

Zagueiro diz que Uruguai veio ao Brasil para ser protagonista e projeta encontro com a seleção brasileira na semifinal

PAULO FAVERO - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2013 | 08h16

SALVADOR - O capitão uruguaio Diego Lugano não estará em campo contra o Taiti, pela última rodada do Grupo B da Copa das Confederações, mas vai torcer para seus companheiros garantirem a classificação à próxima fase. A missão não é complicada e, se der o óbvio - goleada da Celeste e vitória da Espanha contra a Nigéria no outro confronto da chave -, o time de Cavani, Forlán, Suárez e companhia vai avançar à semifinal e aí o sonho do título inédito estará de pé. Nesta entrevista, o zagueiro fala sobre o favoritismo de Brasil e Espanha, mas garante que o Uruguai pode atrapalhar os planos das outras equipes.

 

ESTADO - Você considera a Espanha imbatível?

LUGANO - Atualmente acho que é, mas até alguém ganhar dela. Ela é favorita a ganhar a Copa das Confederações e faz muito tempo que é o melhor time do mundo, talvez um dos melhores da história.

 

ESTADO - Como você vê a seleção brasileira?

LUGANO - Gostei muito do Brasil. Vi os jogos, o time estava concentrado, com muita fome de ser campeão em casa, com ótimos jogadores. É o mesmo Brasil de sempre, com atletas de muita pegada e defensivamente espetacular. É favorito ao título junto com a Espanha.

 

ESTADO - Como você projeta o possível duelo com o Brasil na semifinal?

LUGANO - Vamos pensar primeiramente no Taiti e depois a gente conversa sobre a semifinal. Claro que Neymar e Balotelli são dois jogadores fantásticos, que têm feito uma ótima competição e têm sido protagonistas. Mas o Uruguai vai tentar se classificar e aí vamos ver depois. Todos nesta fase estão capacitados para vencer, pois são seleções de alto nível.

 

ESTADO - Mesmo sem querer falar abertamente, tudo indica que será Brasil e Uruguai na semifinal...

LUGANO - Aparentemente, parece que é Brasil contra o Uruguai que se projeta no horizonte, mas todos sabem que o futebol dá muitas voltas e não se pode garantir que será isso até o Uruguai carimbar a vaga. Se houver esse confronto, será muito bem-vindo, pois estamos definindo um torneio espetacular como a Copa das Confederações em um país que está organizando de um jeito espetacular. A gente veio ser protagonista, queremos fazer parte da festa e seria boa essa disputa com o Brasil. É inevitável não pensar nisso. Seria maravilhoso para mim e para o futebol uruguaio voltar a ter uma partida de alto nível contra um grande adversário em um torneio como esse. Antes, porém, temos de vencer o Taiti e procurar fazer os gols que precisamos. Não somos Brasil e Espanha e por isso não podemos dar moleza. Não podemos bobear.

 

ESTADO - Contra a Nigéria você acabou recebendo o segundo cartão amarelo e não poderá enfrentar o Taiti. Como se sente em relação a isso?

LUGANO - Acho que já não daria para jogar, pois teria menos de três dias de recuperação, mesmo se não tomasse o segundo amarelo. Venho de três jogos muito complicados, com alta temperatura e umidade, então de qualquer maneira seria difícil estar em campo contra o Taiti.

 

ESTADO - A vitória sobre a Nigéria deu um alívio para a Celeste?

LUGANO - A gente sabe que futebol é assim, que qualquer coisa pode acontecer lá dentro, uma bola entra, ou sai, e passamos por isso a todo momento. Estamos tranquilos e contentes porque demos tudo, era uma partida decisiva para o Uruguai, e o resultado foi bom. Defensivamente estivemos firmes e no ataque temos jogadores que são incisivos e rápidos, que criam chances, e isso dá calma para o time.

 

ESTADO - Quando o Obi Mikel empatou, você imaginou o pior?

LUGANO - No primeiro tempo sabíamos que o Mikel era bom e nos surpreendeu a forma como trabalhou a bola e comandou o jogo, nos complicou, fez o gol, mas na etapa final tivemos muito mais atenção sobre ele, os atacantes ajudaram também na marcação e isso foi importante.

 

ESTADO - Você é o capitão da equipe e vem sendo convocado sempre com o Forlán. Como é ver um companheiro completar 100 jogos com a camisa do Uruguai?

LUGANO - O Forlán é uma referência para a seleção e para o futebol uruguaio, e mostra isso a cada jogo. Ele tem uma técnica diferenciada e foi considerado o melhor jogador da Copa do Mundo. Tem calma e tranquilidade para colocar a bola no chão e fazer a diferença. A equipe depende muito dele nesse aspecto e continuamos confiando em seu futebol, pois ele é um jogador que desequilibra e apostamos nele.

 

ESTADO - Para finalizar, a irregularidade do Uruguai te preocupa?

LUGANO - É difícil se manter sempre em alto nível, mas esse grupo já ficou 20 jogos sem perder. Estamos contentes por competir no melhor nível e de igual para igual com qualquer seleção. Já nos acostumamos a jogos decisivos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.