Brasil e Itália lutam por vaga na Copa das Confederações

Um jogo entre Brasil e Itália não é simplesmente uma partida de futebol. Nem mesmo um amistoso pode ser desprezado. Quando as duas seleções se encontram, a história também entra em campo. Neste domingo, a partir das 15h30 (horário de Brasília), no Estádio Loftus Versfeld, de Pretória, não será diferente. Os italianos têm de vencer. Aos brasileiros basta até uma derrota por um gol de diferença para garantir vaga nas semifinais da Copa das Confederações.

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI E SILVIO BARSETTI, Agencia Estado

21 de junho de 2009 | 07h57

A questão matemática é simples. O Brasil tem seis pontos, com duas vitórias, sete gols a favor e três contra - saldo de quatro. A Itália tem três pontos, com três gols marcados e dois sofridos, saldo de um. E o Egito, terceiro interessado nesta conversa, também tem três pontos, com quatro gols a favor e quatro contra - os egípcios enfrentam os Estados Unidos também neste domingo, em Rustenburg, no mesmo horário do duelo entre brasileiros e italianos.

Com um empate, o Brasil garante o primeiro lugar do Grupo B. Derrota por até um gol de diferença dá a classificação aos brasileiros, mas não a certeza de ser o campeão da chave. Já os italianos têm de vencer por dois gols de diferença para garantir a vaga direta, sem se preocupar com o jogo entre Egito e Estados Unidos. Enquanto isso, os egípcios sonham com um tropeço da Itália para conseguirem a histórica classificação para as semifinais.

Todas essas contas ficam em segundo plano quando se olha para os dois rivais. Não há uma garantia de que um é melhor do que o outro, apesar do bom momento dos brasileiros de Dunga. Do lado italiano, há muita tensão e incertezas. O clima não é nada bom. Para se ter uma ideia do estrago que a derrota para o Egito, país das múmias, provocou nos italianos basta ver a manchete do jornal "La Gazzetta dello Sport", o principal diário esportivo do país: "As múmias somos nós."

Dunga não tem nada com isso. O seu time vive um grande momento, com vitórias consecutivas nas Eliminatórias e na Copa das Confederações. Apesar do desgaste físico dos principais jogadores, o treinador terá todos os titulares à disposição para o clássico deste domingo. Voltam o zagueiro Juan e o meia Elano, que tinham sido poupados na fácil vitória sobre os Estados Unidos, na última quinta-feira.

Mais que o time na mão, Dunga tem absoluta certeza de que encontrou o caminho certo para conduzir a seleção ao topo. Sua estratégia passa pela marcação forte no seu campo e a pressão no território do inimigo. E a maior aposta são os letais contra-ataques capitaneados por Kaká. Mas, quando falou do bom momento brasileiro e do estado nevrálgico da Itália, ele preferiu a cautela. "Espero uma Itália compacta, concentrada, esperando o erro do adversário para fazer o gol. Não se pode falar em favoritismo em um jogo como este", disse.

Dunga rejeitou também o rótulo de que é um treinador que tem estrela nos jogos difíceis. "Estrela ou não, acredito na competência. Nunca vi a sorte estar do lado dos incompetentes. Se você trabalhar, tiver convicção, fizer um bom ambiente com responsabilidade, as coisas acontecem naturalmente. Os incompetentes choram e os competentes comemoram", explicou o treinador.

O tempo está aí para provar. Na Copa de 1982, o Brasil era o grande favorito diante da Itália. Perdeu por 3 a 2, derrota que assombrou o mundo e tem eco até hoje. Na Copa de 94, deu Brasil na final diante da Itália, nos pênaltis, com Dunga levantando a taça. Em 1970, no México, a seleção brasileira de Pelé e companhia era barbada. Venceu os italianos por 4 a 1 e levou a taça Jules Rimet - detalhe, neste dia 21 de junho, se comemora 39 anos da conquista do tri em 70. De qualquer maneira, neste domingo será escrito mais um capítulo desta história.

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