Divulgação / Conmebol
Divulgação / Conmebol

Brasil é o primeiro a abandonar vídeo entre grupo que testava tecnologia

International Board lamenta fim do vídeo no Campeonato Brasileiro, mas diz que não pode impor a tecnologia

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2018 | 12h43

A International Board (Ifab) – entidade que serve de guardiã das regras do futebol – lamentou a decisão de suspender o uso de árbitro de vídeo no Campeonato Brasileiro de 2018. Mas indicou que não pode forçar ninguém a aplicar a tecnologia e que não existirá, por enquanto, qualquer tipo de apoio internacional para financiar o uso do sistema pelo mundo. 

+ CBF divulga tabela do Brasileirão; Corinthians pega Fluminense na estreia

+ Clubes sofrem para encontrar um camisa 9 'de verdade' no Brasil

O Brasil, assim, é o primeiro caso de um país que fazia parte do grupo de campeonatos que testavam o sistema a optar por abandonar a tecnologia, antes mesmo de sua aprovação oficial.

Na segunda-feira, os 20 clubes da Série A do campeonato brasileiro decidiram que, por conta dos custos, não haverá árbitro de vídeo no torneio deste ano. O sistema custaria R$ 20 milhões e, para a CBF, caberia aos clubes bancar o investimento. Doze deles votaram contra, com uma abstenção e sete a favor. 

“Não é a melhor das notícias”, disse em entrevista ao Estado o secretário-geral da Ifab, Lucas Brud. No início de março, sua entidade e a Fifa devem anunciar a aprovação final da tecnologia e dar um sinal verde para que a Copa do Mundo, na Rússia, seja a primeira a usar o vídeo nas edições do Mundial. 

No total, 25 competições em 15 países diferentes estavam participando da fase de testes, entre eles a CBF. Mas o envolvimento do Brasil era considerado como importante, diante do peso que o torneio pode ter em convencer outros a seguir o mesmo caminho. Mas o dirigente não vê como a decisão no Rio de Janeiro mudaria o planejamento internacional e o calendário de aprovação do novo sistema. 

“A realidade é que não podemos impor o sistema em ninguém. Cabe a cada federação decidir o que quer fazer”, destacou Brud. 

O dirigente admite que as entidades internacionais não podem fazer nada se não houver um acordo sobre quem deve arcar com os custos. Ele lembra que, antes de iniciar os testes, os alemães tiveram o mesmo debate e, numa primeira votação, os clubes também se negaram a arcar com os custos. Mas um acordo acabou sendo encontrado um ano depois.

No caso dos países que estavam realizando os testes, porém, o Brasil é o primeiro caso de um abandono, o que poderia mandar um sinal negativo. Brud não descarta que outros possam seguir o mesmo caminho, diante de uma falta de acordo sobre quem deveria arcar com o investimento. 

Segundo ele, porém, não há uma previsão de que o custo da implementação do vídeo seja reduzido de forma substancial nos próximos anos. “A tecnologia pode ver uma queda em seu preço. Mas sua implementação exige um número elevado de técnicos e de árbitros e esse custo não vai cair”, explicou.  / Genebra

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.