Brasil: em jogo o sonho olímpico

A seleção brasileira Sub-23 jogará neste domingo seus 90 minutos mais importantes desde que Ricardo Gomes assumiu o cargo de técnico, há pouco mais de um ano. O time precisa vencer a Colômbia às 18 horas (horário de Brasília), em Valparaíso, pela repescagem do Pré-Olímpico do Chile, para chegar ao quadrangular final e continuar na luta pela classificação para os Jogos de Atenas - em caso de empate haverá pênaltis, sem prorrogação. Se perder, será um desastre para uma geração cantada em verso e prosa como uma das melhores dos últimos tempos.Desde o Torneio do Catar, em janeiro do ano passado, a equipe do Brasil disputou 16 partidas. Foram 10 vitórias, quatro empates e duas derrotas - ambas para a seleção principal do México na Copa Ouro, em partidas jogadas ao meio-dia, na altitude de 2.600 m da capital mexicana. Os meninos nunca foram derrotados por um time Sub-23, mas o problema é que o Brasil pode cair fora do Pré-Olímpico mesmo que não perca neste domingo durante os 90 minutos.Apesar do caráter eliminatório do confronto com os colombianos, o técnico Ricardo Gomes não concorda que o sonho olímpico estará sendo jogado na partida deste domingo. "Na minha opinião, vamos jogar o sonho olímpico em quatro partidas: a de amanhã e as três do quadrangular. Estou extremamente confiante", revelou.Disputar a repescagem era algo que não estava nos planos da comissão técnica do Brasil, que contava com o primeiro lugar da chave para ter seis dias de trabalho antes do início do quadrangular - os jogos decisivos serão dias 21, 23 e 25. Como o time não conseguiu seu objetivo, agora Ricardo Gomes trata de minimizar o drama. E encontrou uma maneira de tentar mostrar aos jogadores que o jogo deste domingoe não deve ser considerado uma humilhação para seus currículos."Se isso fosse uma Copa do Mundo, o jogo com a Colômbia seria pelas oitavas-de-final, a primeira de quatro finais para se chegar ao título. É assim que estamos encarando essa partida. Nosso caminho para a classificação ficou um jogo mais longo do que o previsto, mas não é nada que nos assuste", afirmou o treinador.O Brasil irá a campo sem três titulares. Diego e Fábio Rochemback estão suspensos por terem recebido o segundo cartão amarelo diante do Chile e Dagoberto não conseguiu se recuperar de uma contratura muscular na coxa direita. Os substitutos serão Daniel Carvalho, Dudu Cearense e Marcel.Com a escolha do centroavante que defendeu o Coritiba no Campeonato Brasileiro, o treinador optou por mudar o estilo de jogo da seleção. Marcel jogará dentro da área, servindo como referência para os cruzamentos e para os homens que chegarem de trás. A entrada de Daniel Carvalho na vaga de Diego é justamente para dar opção de cruzamentos pelo lado esquerdo, já que o lateral Maxwell tem sido muito tímido no apoio. Paulinho, que seria o substituto natural do jogador do Santos, é muito leve e atua pelo meio - o que não combina com o estilo de Marcel."Não posso simplesmente colocar o Marcel e manter o estilo da equipe. Tenho de criar condições para que ele renda bem dentro de suas característica e por isso, escalei o Daniel Carvalho", explicou Ricardo Gomes. Assim, a entrada do jogador do Internacional fará com que Robinho passe a jogar pelo lado direito.Ricardo Gomes está jogando mais uma cartada para tentar resolver a falta de contundência do ataque, já que está muito satisfeito com o volume de jogo da equipe. "Nossa movimentação ofensiva está excelente, mas tem faltado algo para traduzirmos em gols a superioridade que temos mostrado sobre os adversários. Estamos em busca do equilíbrio entre movimentação e conclusão", disse o treinador.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2004 | 10h55

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