Brasil empata amistoso em Dublin: 0 a 0

Parece cada vez mais distante uma atuação vistosa da seleção brasileira em amistosos sem graça como o de hoje, em que o time de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos não passou de um empate com a Irlanda, sem gols, em Dublin. Talvez por causa de compromissos com seus clubes, os pentacampeões do mundo demonstram um certo desinteresse em disputar partidas que servem apenas para promover os adversários. Até o meia Kaká, em plena campanha para ocupar a vaga de Rivaldo, não-convocado por causa de jogo do Cruzeiro pela Taça Libertadores, teve desempenho discreto. Ele deu boas arrancadas, notadamente no primeiro tempo, tentou tabelas com os companheiros de ataque e esteve mais presente na área da Irlanda que Ronaldo. No geral, deixou a desejar, embora tenha se empenhado. O que não se pode dizer dos demais. O Brasil atuou com displicência - uma praxe em amistosos desde que a base da seleção passou a ser formada por atletas em atividade na Europa. Roberto Carlos errou passes em demasia e deu um toque de calcanhar para a linha lateral. O próprio Ronaldo esqueceu a bola duas vezes em tentativas equivocadas de dribles e Ronaldinho Gaúcho ?sumiu? na etapa final. Sem falar no desempenho mais do que irregular da zaga. Roque Júnior atrapalhou-se várias vezes. Numa delas, tocou a bola com o pé direito e chutou o vento com a outra perna, arrancando risos da arquibancada do lotado Estádio Lansdowne Road. As falhas eram contínuas. Lúcio, por exemplo, esteve mal posicionado em pelo menos dois ataques da Irlanda. A comissão técnica da seleção sabe que é difícil, hoje, motivar os jogadores para amistosos internacionais em meio à temporada dos campeonatos europeus de clubes. Mas sempre adota discurso oposto, repetindo a ladainha de que o atleta se transforma quando veste a camisa cinco vezes campeã do mundo. Não é bem assim. E isso ficou claro hoje mais uma vez, tão nítida a apatia da seleção logo no início do jogo, no momento em que Gilberto Silva deixava o campo, vítima de uma entrada violenta de um adversário. O técnico Carlos Alberto Parreira irritou-se logo. Da beira do campo, gesticulava, pedia mais agilidade, gritava e franzia o rosto. Sua intenção de aproveitar o amistoso para ?treinar? a equipe visando ao jogo com o Paraguai, dia 31 de março, válido pelas eliminatórias do Mundial de 2006, não obteve sucesso. Ele queria lançar Fábio Rochemback no segundo tempo, mas preferiu mantê-lo na reserva. O treinador, que já perdera os volantes Emerson e Juninho Pernambucano por contusão antes da viagem à Irlanda, ficou sem opção com a saída precoce de Gilberto Silva. Substituiu o jogador do Arsenal por Edmílson. Depois, escalou Júlio Baptista na vaga de Kleberson, que teve atuação apagada nos primeiros 45 minutos. As oportunidades de gol do Brasil foram raras. Ronaldo driblou dois irlandeses e chutou forte, com perigo. Foi a única criada na etapa inicial. Por sua vez, a Irlanda obrigava Dida a praticar boas defesas. Depois de uma bronca de Parreira no intervalo, a seleção melhorou. Ronaldo sofreu pênalti, ao ser empurrado por Carr, mas o árbitro preferiu ignorar a infração. O atacante perdeu em seguida um gol incrível e Ronaldinho Gaúcho ainda acertaria um chute no travessão. Muito pouco para o time que estreou hoje o novo e também nada vistoso uniforme da Nike. O Brasil jogou com Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Gilberto Silva (Edmílson), Kleberson (Júlio Baptista), ZéRoberto e Ronaldinho Gaúcho; Kaká e Ronaldo.

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