Rafael Ribeiro/Divulgação
Rafael Ribeiro/Divulgação

Brasil encara Argentina em Pequim para curar suas feridas

Após vexame diante da Alemanha na Copa e a volta de Dunga ao comando, seleção tem primeiro desafio no processo de renovação

Raphael Ramos - ENVIADO ESPECIAL A PEQUIM, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 23h19

É neste sábado, a partir das 9h05 (horário de Brasília), contra a Argentina, no Superclássico das Américas, em Pequim, que a seleção brasileira saberá, de fato, se começou bem ou não a reformulação comandada por Dunga após o vexame de Felipão na última Copa do Mundo. O treinador terá no estádio Ninho do Pássaro o primeiro e mais duro desafio desde o seu retorno à seleção. O jogo marca cem anos do clássico que já foi disputado 99 vezes.

Depois de vitórias por 1 a 0 sobre Colômbia e Equador, mês passado, nos Estados Unidos, será a primeira vez após a Copa que o Brasil enfrentará um time campeão do mundo. Enquanto a seleção ainda se reconstrói da goleada por 7 a 1 para a Alemanha, os argentinos são os atuais vice-campeões do mundo e mantiveram praticamente todo o time da Copa. 

Se ganhar hoje na China, Dunga sabe que terá um pouco mais de tranquilidade para dar sequência a esse seu reinício de trabalho na seleção. Se perder, aumentarão os questionamentos sobre a sua volta à equipe depois do fracasso na Copa de 2010. Na terça-feira, o Brasil enfrenta o Japão, em Cingapura.


Dunga reconhece que o trabalho de todo técnico da seleção brasileira sempre é contestado. Então que seja em cima de vitórias contra rivais de peso, a começar deste sábado. "Falam que o resultado não é importante, mas eu acho importante, juntamente com trabalho, qualidade técnica e forma de jogar", justifica.

Se na sua primeira passagem no comando do Brasil o treinador contava com Kaká e Robinho em grande fase para decidir partidas difíceis como a de hoje, agora a dupla é coadjuvante e começará no banco. A estrela da equipe é Neymar. A única estrela. Por isso, Dunga aposta na força do conjunto, apesar dos poucos treinamentos, para superar um adversário que vive melhor fase.

"O futebol não tem segredo. Se houver uma parte coletiva forte, as individualidades vão se sobressair. Na Copa do Mundo, em grandes seleções que tiveram só individualidade, as coisas não andaram muito bem."

Comandante de pulso firme, ele vai tentar surpreender a Argentina nos contra-ataques. A estratégia é a mesma de oito anos atrás, quando assumiu a seleção pela primeira vez: ocupar bem os espaços na defesa para diminuir o campo de ação do adversário (principalmente Messi) e, quando recuperar a posse de bola, avançar em velocidade. A ordem, sempre que possível, é para que os jogadores procurem Neymar.

"Se eu quiser agradar vocês (jornalistas), eu diria que vou para cima. Mas, na hora de jogar, todo mundo se defende e ataca quando tem a bola. É normal no futebol organizar a defesa primeiro e depois o ataque. Ninguém joga tão aberto", explica.

Jogadas de bola parada são outro trunfo do treinador, assim como já foi na vitória contra o Equador. Dunga usou o treino de ontem no Ninho do Pássaro principalmente para ensaiar cobranças de escanteios e faltas laterais e frontais.

Nos lances de dois toques, Neymar, sempre ele, ora recebia a bola e batia direto para o gol ora fazia o cruzamento. Neymar, Willian, Luiz Gustavo, David Luiz, Robinho e Oscar ainda treinaram cobranças de pênalti caso a partida termine empatada.

QUEIXAS

Se dependesse de Dunga, o Superclássico não seria realizado em Pequim. Para o treinador, seria melhor que a partida fosse disputada em um país não tão distante como a China. “A adaptação é difícil por causa do fuso horário. Até hoje tem jogador que não consegue dormir uma noite inteira e acorda de madrugada”, disse.

O treinador também se queixou da regra que permite a cada treinador fazer apenas três substituições, do estado do gramado e dos organizadores da partida, que está sendo comercializada na China como um duelo particular entre Neymar e Messi - todos os cartazes promocionais do evento espalhados por Pequim têm fotos da dupla do Barcelona. "Eles criam esse monstro e depois a gente tem de administrar."

BRASIL X ARGENTINA

BRASIL - Jefferson; Danilo, Miranda, David Luiz E Filipe Luís; Luiz Gustavo, Elias, Oscar E Willian; Neymar e Diego Tardelli. Técnico: Dunga

ARGENTINA - Romero; Zabaleta, Fernández, Demichelis e Rojo; Mascherano, Pereyra, Di María e Pastore; Agüero e Messi. Técnico: Tata Martino

JUIZ - FanQi (China)

LOCAL - Ninho do Pássaro, em Pequim

HORÁRIO - 9h05

NA TV - Globo e SporTV 

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