Brasil entra no mês da Copa com várias obras atrasadas

Estimativa é de que apenas metade das intervenções prometidas fiquem prontas até a abertura do Mundial

Almir Leite - Enviado Especial , O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2014 | 08h37

TERESÓPOLIS - O Brasil entra no mês da Copa do Mundo com o estádio de abertura, a Arena Corinthians, ainda em fase de realização de evento-teste - que por sinal não será executado com capacidade total de público, considerando-se as exigências para o Mundial - e muitas obras inacabadas.

Boa parte das intervenções da área de mobilidade urbana não está pronta, e ficará para depois da Copa. O mesmo ocorre em relação aos aeroportos. Mas os problemas não param por aí. Há risco real de internet e celular falharem em pelo menos seis estádios da Copa, pois equipamentos não foram instalados a tempo de fazer os testes necessários para oferecer um serviço de qualidade. 

Até mesmo o governo federal parece ter perdido o controle sobre as intervenções ligadas à Copa. A última atualização da Matriz de Responsabilidade, o documento que estabelece as atribuições dos governos federal, estaduais e municipais relacionadas ao Mundial foi feita quase um ano atrás, em setembro de 2013. E há informações desencontradas sobre o estágio de várias obras. 

A estimativa é de que pelo menos a metade das obras prometidas para a Copa do Mundo não será concluída até 12 de junho, quando Brasil e Croácia darão o pontapé inicial da competição. E muitas vão ser entregues parcialmente. É o caso, por exemplo, do corredor Transcarioca, que terá parte inaugurada neste domingo. Obra de orçamento mais alto entre as listadas na Matriz, R$ 1,9 bilhão, vai ligar quando estiver completa o aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca, num percurso de 39 quilômetros.

Por enquanto, porém, o serviço será parcial. "A Copa é a primeira etapa da operação??, explicou o secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão. Em São Paulo, parte das intervenções viárias no entorno do Itaquerão, única obra de mobilidade da cidade ligada à Copa, já foi entregue. Mas a promessa era de que tudo fosse concluído em maio. O mês acabou e ainda há o que fazer. As autoridades garantem que antes do dia 12 tudo estará em operação. 

PUXADINHO

Fortaleza já entregou os pontos há muito tempo. Das seis obras de mobilidade urbana que deveriam ser feitas para o Mundial, apenas duas - dois corredores de ônibus - estão prontas. Outras ficarão para 2015. São os casos da mais importante, o VLT Porangaba/Mucuripe, e do corredor da avenida Dedé Brasil. O VLT deve funcionar na Copa de forma compartilhada com a linha férrea.

Quanto ao corredor, a Prefeitura alega que dois foram inaugurados e os outros ficaram para o ano que vem com o objetivo de não transformar o trânsito na capital cearense num caos. O aeroporto de Fortaleza é um caso a parte. A reforma e a ampliação do terminal não saiu simplesmente porque a empresa responsável por executar a obra abandonou o projeto. A solução foi fazer um terminal temporário, ou seja um "puxadinho?? de maneira emergencial para a Copa. Há cidades em situação embaraçosa quando se trata de aeroporto.

As obras em Confins, em Minas Gerais, não serão concluídas, nem as de Cuiabá. É o mesmo caso do Galeão. Apesar disso, o governo insiste em garantir que não haverá caos nos saguões e terminais. Mudanças nos projetos e burocracia são apontados, pelas próprias autoridades, como os principais motivos para o atraso nas obras. Estudo do Sinaenco (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia) de certa forma corrobora esta tese.

O levantamento conclui que o Regime Diferenciado de Contratação de Obras Públicas (RDC) é um dos principais responsáveis pelo atraso na entrega de obras de mobilidade e nos aeroportos. A razão para isso é que o RDC torna mais ágil o processo de licitação, mas a falta de projeto completo da obra impede seu início de imediato e, consequentemente, ocasiona atrasos.

De acordo com os dados do Sinaenco, das 45 obras de mobilidade urbana e acesso aos estádios, apenas 9 foram contratadas pelo RDC. E apenas um contrato, de R$ 8,7 milhões para as obras no entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre, foi concluído. Isso representa apenas 0,11% do investimento de R$ 7,5 bilhões a ser feito em mobilidade e acesso às arenas.

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