Brasil espera um Uruguai mais retrancado

A seleção brasileira Sub-23 torce para que o Uruguai, adversário de domingo no Pré-Olímpico, seja igual ao que foi atropelado pelo Chile (3 a 0) na primeira rodada do torneio, mas o auxiliar-técnico Cristovão Borges - que viu o jogo de quarta-feira e preparou um relatório para o técnico Ricardo Gomes - acha pouco provável que o treinador Juan Ramón Carrasco mantenha aquela fórmula. "O Uruguai jogou de maneira muito franca contra o Chile. Duvido que entrem do mesmo jeito contra nós. Contra o Brasil, normalmente todo mundo muda o jeito de jogar e é mais cauteloso", afirmou o auxiliar.Cristovão concluiu que o time uruguaio é lento e pesado, o que pode ser aproveitado pelos jogadores rápidos e habilidosos que o Brasil tem na frente. Esse detalhe não é exclusividade da equipe Sub-23. O técnico Ricardo Gomes viu os dois primeiros jogos do Uruguai nas Eliminatórias para a Copa de 2006 - vitória por 5 a 0 sobre a Bolívia e derrota por 4 a 1 para o Paraguai - a pedido de Carlos Alberto Parreira e tinha detectado o mesmo problema. "Fisicamente é um time muito forte, com vários jogadores altos. Mas isso torna o time lento e o Chile soube explorar essa deficiência", avaliou o treinador da seleção Sub-23.Outro trunfo do Brasil será a ausência do meia Ruben Olivera, principal estrela do grupo que está no Chile. O jogador da Juventus, com quem a Associação Uruguaia de Futebol tanto brigou para conseguir sua liberação, foi expulso e terá de cumprir suspensão automática. "É um desfalque de peso, porque ficou claro que ele é muito importante para o time", revelou Critovão.Com Ruben Olivera de fora, o jogador que mais preocupa a comissão técnica brasileira é Horácio Peralta, recentemente vendido pelo Nacional para a Inter de Milão, por US$ 10 milhões. "Quando o Uruguai ataca, ele joga aberto pelo setor esquerdo. E é muito produtivo", contou o auxiliar de Ricardo Gomes.Ofensivamente, o Uruguai não mostrou muita coisa na estréia, mas Cristovão percebeu que Carrasco usa o mesmo sistema que emprega na seleção principal, com dois jogadores abertos nas pontas e um homem de área. "No segundo tempo, eles foram para o desespero e ficaram com quatro atacantes. Só que não adiantou nada, porque o time ficou muito vulnerável e eles não conseguiam recuperar a bola para poder atacar." No jogo das Eliminatórias contra o Brasil, em Curitiba, Carrasco encheu o time de atacantes no segundo tempo e teve sucesso - o Uruguai perdia por 2 a 0, virou para 3 a 2 e no final cedeu o empate. Mas o jogo da última quarta-feira mostrou que nem sempre essa estratégia vai funcionar.Cristovão acredita que os dias de folga na tabela são um trunfo para os uruguaios, que precisam colocar a casa em ordem. "Um período para trabalhar é muito importante numa competição tão desgastante como o Pré-Olímpico."Mas o clima não anda muito bom pelos lados da concentração uruguaia. Quinta-feira, dia seguinte à derrota para o Chile, o técnico não acompanhou a delegação no treinamento e não dirigiu a palavra aos jogadores. E os jornalistas do país estão batendo pesado em Carrasco por causa de sua mania de improvisar jogadores. "Ele trouxe apenas um lateral para cá e não o deixou nem no banco contra o Chile. Escalou dois meias nas laterais e tornou a equipe muito vulnerável", diz Jorge da Silveira, comentarista da rádio Sport 890. "O jogo vai ser de vida ou morte para o Uruguai e certamente eles vão entrar em campo com muita disposição. Já conversamos com os garotos e os alertamos para não entrarem em provocações nem revidarem uma entrada mais dura. Nosso negócio é jogar bola com qualidade", afirmou Cristovão.

Agencia Estado,

10 de janeiro de 2004 | 11h44

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