Brasil está enfraquecido, diz Recoba

O principal jogador da seleção uruguaia está desesperado. Recoba quer fazer do jogo de domingo contra o Brasil, a "partida mais linda da sua vida". O motivo: pode ser a última que ele faz por um período de um ano. O uruguaio foi pego com passaporte falso e suspenso até junho de 2002 pela Federação Italiana. "Eu quero jogar e mostrar que não mereço ser suspenso. Não fiz nada de errado, vou entrar em campo e mostrar o meu talento.Ainda bem que enfrentaremos o Brasil, que não é o mesmo de anos passados. O time está com problemas e enfraquecido. O Uruguai tem tudo para ganhar", provocava. Recoba se comportava como um menino mimado na entrevista coletiva que deu hoje em Punta Del Este. Beijando no rosto inúmeros repórteres locais, ele assumia ser o último ídolo do falido futebol uruguaio. Os jornalistas se comportavam como fãs e sinceros, seguravam na mão do jogador e procuram passar força, dizendo que a federação italiana havia sendo injusta com sua suspensão. Como um padre, ele procurava tranqüilizar a imprensa carente: "Podem ficar tranqüilos. O presidente da Inter de Milão já me garantiu que entrará com recurso pedindo a diminuição da minha suspensão na terça-feira. Eu não vou ficar um ano parado e também não deixarei de disputar a Copa pelo Uruguai. Vocês não precisam ficar preocupados. São vários os casos de passaportes falsos na Itália. As suspensões não podem ser as mesmas. O meu caso é diferente. Eu não tive participação na falsificação", dizia, sem querer, deixando entender que ao menos ele sabia da falsificação. Recoba tem uma função fundamental no jogo de domingo. Ele será o elo de ligação entre o meio de campo e o ataque. A grande preocupação do treinador Victor Pua é com o seu estado psicológico. "Estou bem, não há motivos para preocupação. O que aconteceu fora de campo não estará comigo quando enfrentar o Brasil. Eu devo um grande futebol ao meu povo e vestindo a camiseta da seleção uruguaia. Chegou a hora que o meu país precisa do meu futebol. Não vou decepcionar. Sei que tenho condições de ajudar e muito a seleção a buscar essa vitória. Não me importa quem o Brasil colocará para me marcar, quero fazer história nessa partida." O jogador garante que os brasileiros voltarão para casa frustrados. "Eles já se surpreenderam com o nosso empate em 1 a 1 em pleno Maracanã, nas Eliminatórias. No nosso estádio, Centenário, eles ficarão ainda mais surpresos. O Uruguai vai ganhar esse jogo, eu farei uma grande partida e a minha suspensão será diminuída pelo menos pela metade. Nem eu, nem o Uruguai ficaremos fora da Copa do Mundo do Japão".

Agencia Estado,

29 de junho de 2001 | 21h30

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