Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Brasil, Expedição 21

A seleção cumpre a partir deste domingo ritual que se repete, sem falhar, desde 1930: entra em campo para disputar Mundial de futebol

Antero Greco, colunista

17 Junho 2018 | 04h00

A seleção cumpre a partir deste domingo ritual que se repete, sem falhar, desde 1930: entra em campo para disputar Mundial de futebol. O Brasil marca presença pela 21.ª vez na mais ruidosa manifestação esportiva, em proeza jamais igualada. Já no duelo com a Suíça carregará a glória e o peso de cinco títulos, dois vices e, desta vez, também a necessidade de dar um bico na mais humilhante derrota que sofreu em cento e tantos anos de existência, na forma dos 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais de 2014. Surra tão escorchante que os 2 a 1 para o Uruguai, na final de 50, viraram poeira.

+ UGO GIORGETTI: Fama e tatuagem

+ Leia outros colunistas de Esportes

Não há como ignorar o episódio de Belo Horizonte. É fato, história, constatação. A sova tomada dos germânicos atuais campeões não precisa ser suportada como trauma. Antes, pode ser encarada como motivação adicional para Tite, colaboradores e atletas. Há uma turma remanescente do segundo desastre em Copas em casa com chance de reviravolta, e cinco começam como titulares: Thiago Silva, Marcelo, Paulinho, Willian, Neymar. Fernandinho fica na reserva. 

Meio time que amadureceu com experiência tão triste no currículo. Até por isso - vergonha, cobranças, gozações, lembranças -, o quinteto tem como servir de guia para os novatos da companhia nessa Expedição, a 11.ª na Europa. Tite os transformou na espinha dorsal da equipe, completada por Alisson, Danilo, Miranda, Casemiro, Philippe Coutinho, Gabriel Jesus. Uma combinação com possibilidade de dar samba ritmado. 

O Brasil tem time equilibrado - se chegará às quartas, semifinais, se será campeão, tudo outra história. Mas, inegável que Tite construiu um conjunto em dois anos de trabalho. Para tanto, contou com o próprio talento, com experiência, além de se cercar de pessoas nas quais confia. E que mostraram eficiência em outros trabalhos. Longe de ter patriotada nesta crônica; apenas reconhecimento ao que se fez até aqui.

 

Não faz sentido desdenhar de antemão. Nem há motivo. Calma lá, os gringos reconhecem que o Brasil sacudiu a poeira em pouco tempo, e o colocam na principal prateleira do torneio, como comprovam as casas de apostas britânicas. Por que devemos descer o sarrafo na amarelinha, tal qual um Diego Costa em dividida com Pepe, antes que entre em campo e exponha repertório diante dos helvéticos? Esperemos a tarde. 

A seleção parte de um goleiro de nível (Alisson), de um lateral seguro na marcação (Danilo), dupla de zaga tarimbada (Miranda, Thiago), um lateral que talvez seja o melhor ponta-esquerda, se ainda os há, da atualidade (Marcelo). Casemiro é ótimo cão de guarda, assim como Paulinho, que se atreve com frequência a aparecer na área rival. Philippe Coutinho e Willian aliam aplicado trabalho tático pelos lados, com arrancadas rápidas. Neymar é o astro da trupe (e, pelos relatos dos enviados do jornal, anda concentradíssimo). Gabriel Jesus é candidato a estrela.

Para os que confiam em números com fervor religioso, há como animar-se. Nas 20 estreias anteriores, o Brasil perdeu só nas duas primeiras - 2 a 1 para a Iugoslávia (1930) e 3 a 1 para a Espanha (1934, jogo que também significou eliminação). No mais, foram 16 vitórias e dois empates (0 a 0 com a Iugoslávia em 74 e 1 a 1 com a Suécia em 78). A seleção marcou 46 gols e levou 18. Em nove partidas, não foi vazada; em outras oito, só viu uma bola na suas redes. Tomou 5 da Polônia, em 1938, porém tascou-lhe 6. Que tal?

*ANTERO GRECO É COLUNISTA DO ‘ESTADO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.