Arquivo/Estadão
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Brasil finalmente se isola no topo do mundo e fatura o tri na Copa de 1970

Time de Pelé, Tostão, Rivelino, Gerson e Jairzinho põe fim a vexame de 1966 e vira o primeiro tricampeão mundial da história

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 03h00

O vexame em 1966, quando foi eliminado ainda na fase de grupos, mexeu com o brio da seleção brasileira. A equipe conseguiu reunir uma geração talentosa, uma preparação exemplar e um ambiente favorável para não dar chances a ninguém no México. Foram seis vitórias em seis jogos e o título garantido.

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A conquista teve como grande significado a posse definitiva da Taça Jules Rimet. Desenhado por um artista belga, o troféu teria como dono o país que vencesse três Copas do Mundo. Para felicidade do Brasil, a equipe voltou do México com o prêmio na bagagem, símbolo da supremacia no futebol.

O Brasil se tornou em 1970 o primeiro tricampeão do mundo. Mais do que isso, chegou a esse status com um futebol exuberante. Foram 19 gols em seis jogos, muitos deles frutos de lances bonitos e históricos de um elenco que contou com cinco craques que eram camisas dez em seus clubes: Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivellino.

 

A Copa do Mundo em território mexicano começou a ser vencida pelo Brasil na preparação. O time viajou ao país dia 2 de maio, 40 dias antes da estreia. O período ajudou a equipe a adquirir entrosamento e se adaptar à altitude. O trabalho prévio foi feito na cidade de Guanajuato, a 3 mil metros acima do nível de mar e com ar mais rarefeito até mesmo do que das sedes onde a equipe atuaria.

Aquele Mundial foi marcado também por novidades. As principais foram a possibilidade de cada equipe fazer duas substituições por jogo. Até então, os times precisavam terminar os jogos com os mesmos 11 que haviam iniciado. A outra foi a adoção do cartões amarelos e vermelhos, para facilitar a comunicação e dispensar gestos ou anotações para registrar as advertências.

A confiança da torcida brasileira na seleção era enorme. Apesar de João Saldanha ter saído do cargo e dado lugar para Zagallo a apenas três meses da Copa, a geração talentosa resolvia qualquer temor. Inclusive, na estreia, a Checoslováquia até abriu o placar, mas foi goleada de virada por 4 a 1. Um belo cartão de visitas.

O segundo jogo da seleção foi essencial. A atual campeã, Inglaterra, foi quem deu mais trabalho. Uma partida nervosa, com lances violentos e a histórica defesa de Banks após cabeçada de Pelé. Quem decidiu e fez o gol no 1 a 0 foi Jairzinho. Conhecido como o Furacão da Copa, ele marcou em todos os jogos da campanha.

A Copa do Mundo também ficou marcada não só pelo triunfo brasileiro, como também pela globalização. A África pela primeira vez passou a ter vaga direta na competição e teve o Marrocos como representante, o estreante Israel conquistou presença pelas Eliminatórias da Ásia e El Salvador, nação praticamente vizinha ao México, também fez parte do torneio.

Após a primeira fase, as quartas de final tiveram como destaque a revanche entre Alemanha e Inglaterra. A final do ano anterior novamente terminou na prorrogação, mas desta vez com triunfo dos alemães, por 3 a 2. O resultado deixou nas semifinais apenas campeões mundiais, dos quais três deles (Uruguai, Itália e Brasil) podiam ser campeões e levar a taça para casa.

A semifinal foi a vez do Brasil vencer um grande fantasma, o do Maracanazo. O Uruguai era novamente o adversário, 20 anos depois da fatídica derrota no Rio, e para piorar saiu na frente. Para a felicidade do Brasil, Clodoaldo empatou e no segundo tempo Jairzinho e Rivellino. O temor havia sido derrotado e a final viria.

REVANCHE DE 1938 TEM ATROPELO BRASILEIRO

Do outro lado, estava a Itália. A equipe conseguiu uma classificação espetacular na semifinal, ao bater a Alemanha por 4 a 3, em uma partida de cinco gols marcados na prorrogação. A equipe dava ao Brasil a chance de outra revanche na sequência, pois em 1938, os europeus ganharam na semifinal.

A decisão em 21 de junho no estádio Azteca lotado por mais de cem mil torcedores foi o desfecho apoteótico de uma jornada gloriosa do Brasil. O primeiro tempo até terminou empatado em 1 a 1, com gols de Pelé e Boninsegna, mas na etapa final os gols de Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto confirmaram a vitória por 4 a 1.

 

A Jules Rimet seria definitivamente do Brasil, de forma merecida e para delírio da torcida. O estilo técnico, o chamado futebol arte, marcou aquela campanha e fez o Mundial do México ser um dos mais marcantes já realizados.

FICHA DA FINAL

BRASIL 4X1 ITÁLIA

BRASIL: Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivellino. Técnico: Zagallo.

ITÁLIA: Albertosi; Burgnich, Ceca, Rosato e Facchetti; Bertini (Giuliano), Mazzola e De Sisti; Domenghini, Boninsegna (Rivera) e Riva. Técnico: Ferruccio Valcareggi.

GOLS: Pelé, aos 18, e Boninsegna, aos 37 minutos do primeiro tempo. Gérson, aos 21, Jairzinho, aos 26, e Carlos Alberto, aos 42 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS: Rivellino e Burgnich

PÚBLICO: 107.412 pessoas

LOCAL: Estádio Azteca, na cidade do México.

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