Brasil invade o Campeonato Português

O campeonato mais brasileiro da Europa é o português. As inscrições ainda não estão fechadas, mas na primeira rodada eram 139 brasileiros, num total de 444 jogadores, 31% do total. Se divididos pelos 18 clubes, daria uma média de sete por time. Os portugueses são a maioria, 237 jogadores inscritos, 53% do total. Os outros 68 são de 27 nacionalidades. Os franceses têm 12 jogadores (2,7%), os argentinos, nove (2%), senegaleses e cabo-verdianos, seis (1,4%). Espanhóis e camaronenses vêm logo atrás, com quatro cada ? o restante das nacionalistas têm uma representação menor. Para os torcedores, parece não haver problemas. Na porta do estádio do Benfica, Carlos Reis, de 54 anos, considera que nacionalidade do jogador não é importante. ?Desde que sejam jogadores de qualidade não há problema nenhum. A qualidade é que tem que imperar. Há que preservar de fato os jogadores jovens portugueses, mas (eles) têm que ser vistos pela qualidade e não pela nacionalidade?, disse Reis, que é sócio do clube desde que nasceu. Rotatividade: O pintor de construção civil Rui Rodrigues, de 38 anos, afirma que só torce pela seleção e que deve haver espaço para os estrangeiros. ?Até acho que é bom eles mudarem de país e circularem. A rotação do jogador melhora a qualidade. Isso dá uma boa competição. Portugal é um país que tem muito futebol.? Nos clubes, o que tem mais jogadores brasileiros inscritos é o Marítimo, da Ilha da Madeira, um clube que tem a tradição de disputar competições européias. São 17 brasileiros inscritos para apenas sete portugueses, de acordo com os números da Federação Portuguesa de Futebol. ?O Marítimo tem esse número de atletas inscritos no seu plantel porque tem duas equipes. Se nós separarmos os da equipe principal dos da equipe B veremos que os números são muito menores?, afirma o presidente do clube, Carlos Oliveira. A equipe B joga na terceira divisão. Segundo o dirigente, o Marítimo é um dos clubes que mais investem na formação de jogadores, com 500 atletas desde os dentes-de-leite até os juniores que estão perto da profissionalização. O time tem sido dos que mais revelam jogadores na sua região, o arquipélago da Madeira. No entanto, no profissional as coisas mudam: ?Hoje estamos num mundo global, com livre circulação de pessoas e bens, o que nos permite fazer ajustamentos para tentar definir a melhor estratégia para o nosso plantel ou para a nossa sociedade anônima desportiva. O jogador hoje não deve ter pátria, deve ter futebol. É dessa forma que nós trabalhamos e vamos continuar a trabalhar, independentemente da origem ou da nacionalidade?. Com tantos estrangeiros no futebol português, muitos dos melhores jogadores procuram um lugar no exterior. O técnico da seleção de Portugal, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, acha que não é um problema que só acontece no país. ?Não sou só eu, técnico de Portugal, que enfrenta esta situação. O técnico espanhol provavelmente enfrenta a mesma situação, o técnico inglês enfrenta, o alemão enfrenta, faz parte das normas das ligas. Eu, dentro das minhas limitações, tenho ótimos recursos.? Entre os convocados para o jogo do dia 3 de setembro entre Portugal e Luxemburgo, dos 20 chamados só seis estão contratados por clubes portugueses.

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