Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Brasil investe em sul-americanos ‘bons e baratos’

Salários altos pagos pelos clubes e vitrine para a Copa do Mundo de 2014 atraem jogadores dos países vizinhos

FÁBIO HECICO, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - O futebol brasileiro começa a ter um novo sotaque: o castelhano. Considerados bons investimentos pelo custo-benefício, já que são baratos e dão boas respostas no campo, os sul-americanos estão invadindo o futebol nacional. Apenas na janela deste meio de ano, 16 jogadores desembarcaram nos clubes da Série A e mais dois no Palmeiras, na Série B do Brasileiro. São nada menos de 44 estrangeiros na Primeira Divisão, muitos argentinos, uruguaios e paraguaios, o norte-americano Freddy Adu, e até europeus, casos do holandês Seedorf e do espanhol Fran Mérida.

Dos 20 times da Série A, apenas Atlético-MG, Criciúma e Goiás não contam com mão de obra de fora do País. Mas isso pode acabar em breve, já que vasculham o futebol sul-americano atrás de reforços “bons e baratos” e não devem ter problemas, uma vez que o orçamento dos clubes brasileiros é bem superior aos dos times do continente.

O futebol paulista é o que mais aposta nos vizinhos sul-americanos. Das 16 contratações, oito foram de clubes do estado.

O Santos investiu R$ 7,7 milhões pelo lateral-esquerdo chileno Eugenio Mena, da Universidad de Chile, para acabar com a carência na posição. O jogador aguarda a parte burocrática para estrear. E não terá problema de adaptação uma vez que o clube ainda conta com os argentinos Montillo, na meia, Patito Rodriguez e Miralles no ataque (algum deles deve ser negociado já que apenas três estrangeiros podem jogar).

A direção santista ainda busca um treinador de fora do País. Investiu nos argentinos Marcelo Bielsa, que não aceitou a proposta, e Gerardo Martino, que ainda tem chance de ser contratado. E quer o atacante Scocco, do Newell’s Old Boys, nos planos também do Internacional.

O São Paulo também se reforçou para a lateral-esquerda. Trouxe o experiente argentino Clemente Rodríguez, do Boca Juniors, enquanto o Corinthians aposta todas as suas fichas no centroavante peruano Guerrero, um investimento de R$ 10 milhões.

Os jogadores do Peru, por sinal, andam em alta no País. A Ponte Preta já contava com Luis Ramirez e agora foi buscar o lateral-direito Advíncula, no Hoffenheim, da Alemanha. Também acertou com o meia argentino Sarmiento, do All Boys. Na Lusa, o lateral-direito chileno Bruno Romo, do Colo Colo, está em fase de testes e deve ser aprovado para formar o trio de estrangeiros com os argentinos Cañete e Luceno.

Já se armando para ter um grupo forte na volta à elite, em 2014, o Palmeiras (já tinha o chileno Valdivia) trouxe o volante uruguaio Eguren (veio de graça do Libertad) e o meia paraguaio Mendieta (pagou R$ 4 milhões ao Libertad).

Com salários em média bem mais baixos que as estrelas nacionais, os estrangeiros agora fazem um clamor para que a CBF mexa no regulamento e permita que mais do que três deles possam entrar em campo numa partida. Isso para que muitos outros compatriotas venham ao Brasil. Scocco, Martínez, Contrera, Saviola, Lucho González, Fabian Coronel e Chamucero podem ser os próximos a aumentar o sotaque gringo no Brasileirão. Devem ir para o Sul ou o Rio, outros grandes centros em que “estão em casa.”

Em Porto Alegre, o Inter conta com D’Alessandro, Dátolo, Forlán e agora Bolatti, devolvido de empréstimo pelo Racing, e o Grêmio conta com Riveros e Maxi Rodrigues (recém-chegados), Barcos e Vargas.

No Rio, o Vasco investiu R$ 4 milhões para ter o armador Montoya, do All Boys, ao lado de Tenório. O Botafogo conta com Lodeiro e Seedorf. O Flamengo aposta em Moreno, González e Cáceres, e o Fluminense conta com Monzon e Valencia.

GRINGOS JÁ "DERAM" TÍTULOS IMPORTANTES AOS CLUBES DO PAÍS

Para quem pensa que investir em estrangeiro é um risco, algumas grandes conquistas recentes mostram justamente o contrário. O Corinthians detém o título do Mundial de 2012 com duas vitórias por 1 a 0, ambas com gols do peruano Guerrero, seu artilheiro na atual temporada.

No Inter, D’Alessandro conquistou a torcida não apenas por sua garra e habilidade, mas também pelo destaque em decisões. O argentino foi o craque das Américas em 2010, ano em que levou o Inter à conquista da Libertadores. Ainda ganhou a Sul-Americana em 2008 e a Recopa em 2011.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.