Brasil joga com a corda no pescoço

Cinco dias depois de sobreviver à partida da repescagem contra a Colômbia, o Brasil volta a jogar com a corda no pescoço no Torneio Pré-Olímpico. Na noite desta sexta-feira (às 23h10, no horário de Brasília), no estádio Sausalito, o time de Ricardo Gomes precisa derrotar o Chile para chegar à rodada de domingo, quando enfrentará o Paraguai, com boas chances de conseguir uma das duas vagas para Atenas."Temos duas finais pela frente e vamos vencer as duas. Conseguir a classificação é nossa obrigação", avisou o treinador da seleção Sub-23.Como o time não teve tempo para treinar depois da derrota para a Argentina, e também não terá no intervalo de menos de 48 horas entre a partida desta sexta e a de domingo, o trabalho de Ricardo Gomes agora resume-se a motivar os jogadores. Ele e Branco (chefe da delegação) têm conversado muito com os garotos para tentar reanimá-los e mostrar que nada está perdido."Nosso grupo tem qualidade para conseguir a vaga, por isso cabe a mim dar confiança aos garotos. Assumo a responsabilidade por tudo o que acontecer aqui", disse Ricardo Gomes.Branco afirmou que daqui para a frente o que vai contar "é ter cabeça e coração". "Jogo decisivo se ganha nos detalhes. E é preciso estar concentrado os 90 minutos para não dar chance ao adversário", explicou o chefe da delegação, que recebeu um telefonema do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Mas, desta vez, o dirigente elogiou o time - após o empate com o Chile na primeira fase, ele tinha reclamado da "falta de empenho" dos garotos. "O presidente gostou da nossa atuação contra a Argentina e me pediu para transmitir seu apoio aos jogadores. Ele disse que continua confiando na classificação", revelou Branco. A julgar pelo que Ricardo Gomes dizia antes da repescagem, o trabalho de recuperação psicológica do time não deve estar sendo fácil. Antes da partida contra a Colômbia, quando questionado sobre a pressão de disputar uma partida eliminatória, ele disse o seguinte: "Os jogos do quadrangular não serão eliminatórios, mas quem perder na primeira rodada estará moralmente eliminado". Agora, ele tem a responsabilidade de convencer seus jogadores de que não estão "moralmente eliminados".Ricardo Gomes não confirmou a escalação, mas garante que não tem nenhuma dúvida de ordem tática ou técnica. Sua preocupação é com a condição física e com o estado de espírito dos jogadores. Se depois da revisão médica da tarde desta sexta-feira, todos estiverem em boas condições, ele manterá o time que começou jogando contra a Argentina."A tendência é repetir a formação, mas preciso esperar até amanhã (hoje) à tarde para saber se todos conseguiram se recuperar do desgaste da partida de quarta. Não posso colocar num jogo decisivo quem não estiver com 100% de suas condições", justificou Ricardo Gomes.O técnico do Brasil acredita que o Chile também entrará em campo pressionado, já que na primeira rodada perdeu para o Paraguai. "Os dois times só podem pensar na vitória, por isso a tensão estará dividida", avaliou.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2004 | 09h14

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