Brasil joga com obrigação de vencer

A seleção brasileira entra em campo nesta segunda-feira, às 21h45, no Estádio Palogrande, em Manizales, para enfrentar muito mais do que a equipe de Honduras, pelas quartas-de-final da Copa América, uma das surpresas da competição, mas muitas adversidades e novidades. Os próprios jogadores do Brasil reconhecem que não sabem nada sobre o futebol hondurenho. Além do adversário, aparecem a mudança de cidade, a altitude (são 2.100 metros), o campo, a substituição do técnico Luiz Felipe Scolari, suspenso, por Antonio Lopes, que ficará no banco, e, como se não bastasse, um novo esquema tático. "Caramba, eu nem tinha parado para pensar nisso. É problema para a comissão técnica", comentou o lateral-direito Belletti.À primeira vista, são muitas novidades acontecendo em uma única partida. E, pior, nenhuma delas é o que se pode chamar de boa. A começar pela mudança de sede. Embora o jogo esteja marcado para Manizales, a delegação brasileira continuará concentrada em Cali, onde disputou a primeira fase. A decisão vai obrigar o time a viajar pelos menos uma hora e meia em pleno dia do jogo, já que a comissão técnica optou por chegar ao estádio poucas horas antes do início.Somente ao meio-dia vão decidir se o vôo irá direto para Manizales ou se fará uma parada em Pereira, de onde seguiriam de ônibus. Tudo vai depender dos relatórios climáticos, pois a região é famosa pela neblina.O embarque, horas antes do jogo, evidencia outra novidade para o Brasil. A idéia faz parte da estratégia da comissão técnica para evitar que os jogadores sintam o efeito da altitude. "O organismo começa a dar esse tipo de sintoma cerca de quatro horas depois de a pessoa estar exposta a essas condições", afirmou o médico Rodrigo Lasmar. Para ele, esse espaço de tempo é suficiente para que a equipe chegue e jogue, sem que seja afetada.Cancha - Fora de campo as variáveis são negativas. Dentro dele, a realidade não muda muito. Embora o gramado do Palogrande seja considerado um dos melhores da Colômbia, os brasileiros vão jogar sem ter feito o tradicional reconhecimento do local. "Mas todos nós estamos acostumados a jogar em lugares diferentes e, por isso, acredito que quando a bola rolar, ninguém mais vai se lembrar de tudo isso", afirmou o meia Juninho Pernambucano, que entrará no lugar de Roque Júnior.Ainda no campo, mas no banco de reservas, o que vai chamar mais a atenção será a ausência de Felipão. Que Lopes, seu substituto, tem experiência como treinador não se discute, mas o treinador titular ganhou a confiança do grupo.Até o esquema tático, que parecia "intocável", soferá modificações. A equipe deixará o 3-5-2 para jogar no 4-4-2. Felipão trocará um zagueiro, Roque Júnior, que está suspenso, por um meia, Juninho Pernambucano. "Honduras joga com apenas um atacante fixo, então não há razão para mantermos três zagueiros", justificou.Os jogadores e a comissão técnica garantem estar preparados para as novidades no esquema, no banco, e para as "surpresas" de Manizales, mas não admitem nem sequer serem surpreendidos por Honduras. "Temos de jogar com a mesma seriedade dos últimos jogos para não termos uma surpresa desagradável", ressaltou Felipão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.