Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

'Brasil não pode depender de Neymar', diz Pelé

Rei do futebol acredita que ataque é setor que ainda está em construção

GONÇALO JÚNIOR - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

12 de setembro de 2013 | 08h00

BOSTON - Neymar está rendendo cada vez mais na seleção brasileira, mas não pode ser a principal opção do ataque, o único setor que ainda está em construção na equipe. Os outros já estão prontos para a Copa. Em linhas gerais, esse é o raio X que Pelé faz do time de Felipão faltando dez meses para o Mundial de 2014.

Em entrevista exclusiva ao Estado, ele afirma que a seleção está evoluindo a cada jogo e já não tem grandes problemas de entrosamento. “O Neymar é extraordinário e tem uma importância fundamental para a equipe, mas não pode ficar com toda a responsabilidade. Ele tem de usar o talento para decidir. Estamos no caminho certo”, afirmou Pelé.

O maior jogador de todos os tempos está preocupado com o ataque da seleção, apesar de o setor ter marcado nove vezes nos amistosos contra a Austrália e Portugal. Assim, a divisão de responsabilidades que ele vem cobrando se completaria com a ascensão do setor ofensivo. O bom momento vivido por Jô, com três gols nos últimos dois jogos, e as boas atuações na Copa das Confederações ainda não convenceram Pelé.

“A escalação do Jô não parece ser definitiva. O ataque é o setor em que a seleção ainda está se formando. Não está com uma escalação pronta, como a defesa e o meio”, opinou. A entrevista de Pelé foi concedida no Gillette Stadium, antes do amistoso entre Brasil e Portugal, na terça-feira. Portanto, ele fez o diagnóstico da seleção antes mesmo de o craque do Barcelona ter dominado as atenções e resolvido a vitória por 3 a 1. Coisa de quem enxerga longe.

Por essas e outras, foi homenageado, juntamente com Eusébio, rival dos anos 60. Pelé arrasta uma multidão de súditos por onde passa. Só de seguranças, são três, dos mais fortões e mal-encarados. Por causa de uma irritação, seu olho direito está bastante vermelho, mas não chega a incomodar. Ele é atencioso, fala olhando nos olhos e não age como um rei. Usa um agasalho azul com o nome da Gillette, patrocinadora da seleção, e só assistiu ao primeiro tempo do jogo por causa de compromissos em Nova York.

ESCOLHA

Felipão havia alertado que o Brasil vive uma situação peculiar. Como não participa das eliminatórias por ser a sede, o time depende dos amistosos para se preparar. Ou seja, não faz jogos oficiais. Isso não preocupa Pelé. “Podemos escolher bem os adversários para dirigir a preparação. Nas eliminatórias, também enfrentamos alguns rivais fracos que pouco acrescentam”, diz o Rei.

As duas situações acabam dando na mesma. Depois de enfrentar Austrália e Portugal, o Brasil vai jogar no dia 12 de outubro contra a Coreia do Sul, em Seul, e, três dias depois a Zâmbia, na China.

Sempre cobrei a formação de um grupo e, depois, a realização dos treinos para trazer o entrosamento. Já temos tudo isso”, diz Pelé, que dribla a pergunta sobre quem gostaria de ver na seleção. “Cada brasileiro tem sua seleção”, disse Pelé antes de se acomodar na tribuna do Gillette Stadium.

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