Brasil não tem seleção, diz Parreira

"O Brasil não tem hoje uma seleção." A conclusão é do técnico Carlos Alberto Parreira, de 57 anos, campeão do mundo em 1994, e um dos mais cotados para substituir Emerson Leão num eventual fracasso da equipe na Copa das Confederações, entre 30 de maio e 10 de junho. Parreira defende a formação imediata de uma base e aconselha Leão a rever a decisão de priorizar a convocação de atletas que atuam no Brasil para jogos das eliminatórias do Mundial de 2002. "Se tiver de voltar atrás em qualquer decisão, que tenha coragem, que faça o que for melhor para a seleção brasileira e para o trabalho dele, que não fique apegado a princípios." Apesar da análise crítica, Parreira defende a permanência de Leão no cargo e associa a atual crise do futebol brasileiro a uma série de problemas: calendário, má formação do jogador, êxodo de atletas para o exterior e falta de treinos. "No futebol não se faz milagre, a culpa do que está aí não é do Leão." Para ele, os maus resultados da seleção são o reflexo da péssima organização do esporte no País. O treinador, atualmente sem clube, reconhece que a seleção está em situação complicada, mas acredita na classificação. "A questão central é que ninguém sabe qual é o nosso time e o Leão está numa sinuca de bico", afirmou Parreira para a Agência Estado, em entrevista exclusiva, concedida em sua casa, na Barra da Tijuca. Sobre a possibilidade de voltar à seleção, o treinador, por duas vezes, deu a mesma resposta. "Isso não faz parte dos meus planos." Parreira pretendia descansar durante o primeiro semestre de 2001. Por isso, não aceitou convites de vários clubes. Mas acabou trabalhando intensamente ao participar de seminários, cursos e conferências por várias cidades do Brasil - o que não estava em seus planos. "Foi algo que fugiu ao meu controle." Ele também não planejava se mudar da sua casa para um apartamento na Barra. Mas, como a filha se casou e deixou os pais, vai ter, mais uma vez, de alterar os planos. O jogo com o Uruguai, em 1 de julho, pelas eliminatórias, é considerado de alto risco por Parreira. Por causa da pressão que a torcida adversária vai exercer e da importância da partida, o técnico acha fundamental que o Brasil seja representado por seus melhores atletas. "É um momento em que a experiência vai contar muito; precisamos levar para Montevidéu jogadores que não se intimidem. Se o Rivaldo, o Cafu, o Roberto Carlos forem os melhores, que sejam incluídos na lista." Parreira torce para a rápida recuperação de Ronaldo, a fim de que possa reforçar o ataque da seleção. Elogia o jogador da Internazionale de Milão, a ponto de considerá-lo "um fator de desequilíbrio" para o time do Brasil. "Ganhamos outro status com o Ronaldo em campo; precisamos dele." Seria mais uma tentativa de escapar da fase crítica, que se arrasta desde 1998. "Vivemos o pior momento do futebol brasileiro." A observação é ratificada pela frase seguinte. "Há alguns meses seria uma situação impensável esta, a de que a seleção estaria fazendo contas para se classificar."

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