Brasil nega apoio à Bolívia em reclamação por veto à altitude

Presidente Ricardo Teixeira divulga nota e pede que jogos de futebol não sejam disputados na altitude

Agências Internacionais

03 de abril de 2008 | 22h34

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por meio de nota divulgada pelo presidente Ricardo Teixeira, disse ser contra o pedido feito pela Sul-Americana à Fifa para suspender o veto à realização de jogos internacionais em cidades situadas a mais de 2.750 metros de altitude. Segundo o paraguaio Nicolás Leoz, presidente da Confederação Sul-americana de Futebol (CSF), o organismo insistirá na decisão acatada na reunião realizada dia 22 de janeiro em Santiago, quando os dez países decidiram apoiar a Bolívia para a realização de Jogos em La Paz, a mais de 3.600 metros acima do nível do mar. Leoz elogiou a atitude dos dirigentes chilenos, que decidiram enfrentar a Bolívia no próximo mês de junho em La Paz realizando uma aclimatação prévia de seus jogadores. Segundo a recomendação da Fifa, a única forma de disputar jogos em cidades com altitude elevada seria por meio deste processo de pelo menos duas semanas de adaptação. A entidade ainda pediu à CSF que amplie o veto aos torneios que organiza - o que inclui a Libertadores e a Copa Sul-americana. Leóz disse ainda que as cinco equipes brasileiras que participam da Copa Libertadores da América - Flamengo, Fluminense, Santos, São Paulo e Cruzeiro - levaram uma denúncia ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, em francês) para evitar jogar na altitude. Porém, o dirigente foi categórico neste sentido e afirmou: "A confederação organiza seus torneios de acordo com um regulamento próprio e as partidas serão jogadas segundo as regras existentes". "Eles terão de jogar na cidade de seu eventual adversário. Se não o fizerem, perderão os pontos, pagarão uma multa e, se forem reincidentes, sairão do torneio", advertiu o presidente da federação equatoriana, Luis Chiriboga. O presidente da federação peruana, Manuel Burga, explicou que a CSF não reconhece o TAS e pediu que os clubes levem suas reclamações ao organismo. "Não conseguimos chegar ao mesmo consenso quando apoiamos o Brasil para sediar o Mundial. É uma pena, mas esperamos mudar isto", disse Burga, lembrando que todas as federações apoiaram a CBF na luta como sede única da Copa de 2014. "Estamos enviando uma carta à confederação brasileira para que os clubes de lá tenham de cumprir a regulamentação, respeitar o que dizem os estatutos. Caso isto não ocorra, haverá a perda de pontos", disse Leoz. Para o presidente da federação boliviana, Carlos Chávez, a reiteração do apoio ao país "foi uma aposta de posicionamento firme dentro da CSF", mas alertou que a dissidência do Brasil "não deixa de romper a filosofia de unidade que sempre fortaleceu o organismo".

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