Brasil pega Paraguai de olho na Argentina

Vencer ou na pior das hipóteses empatar com o Paraguai, esta noite, em Assunção, para evitar que o jogo com a Argentina, em junho, ganhe uma conotação dramática. É com esse objetivo, o de poder enfrentar em seguida o maior rival sul-americano em clima mais ameno, que o Brasil entra em campo, no Estádio Defensores Del Chaco, para tentar tirar a liderança do Paraguai nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. A partida começa às 21h45, com transmissão ao vivo pela TV Globo. "Um resultado ruim nos obrigaria, sem dúvida, a nos recuperar contra a Argentina", comentou o técnico Carlos Alberto Parreira, certo de que dois resultados adversos e não surpreendentes podem provocar uma crise na seleção.Há circunstâncias desfavoráveis, hoje, para o Brasil. A equipe não teve tempo para treinar - somente uma atividade de campo foi realizada -, a maioria dos jogadores viajou entre domingo e segunda-feira em torno de 20 horas, da Europa até Assunção, com rápida passagem por Rio e São Paulo, e nem sequer houve um trabalho físico. Além disso, o Paraguai tem uma equipe forte, em que se destacam o lateral Arce, o zagueiro Gamarra e o atacante Roque Santa Cruz, e vem motivado pela primeira colocação no torneio. Pode pesar também o fato de os vizinhos do Brasil atuarem em casa, com apoio de uma torcida apaixonada.Em compensação, a seleção brasileira conta com um trio que vem encantando a Europa e é sucesso absoluto em Assunção: Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká. Eles estão sendo reverenciados pela imprensa local como os três melhores jogadores do mundo no momento. Existe ainda um aspecto muito importante para dar, no mínimo, um equilíbrio ao jogo: nada menos que nove campeões do mundo estarão defendendo o Brasil no Defensores Del Chaco. Somente os meias Zé Roberto, do Bayern de Munique, e Renato, do Santos, não participaram da campanha vitoriosa na Coréia do Sul e Japão, em 2002.É inegável a força dos laterais Cafu e Roberto Carlos, outro ponto em que a partida pode ser decidida. "É bom lembrar que o Paraguai eliminou a seleção brasileira dos Jogos Olímpicos de Atenas e nos derrotou logo após o Mundial, no amistoso em Fortaleza", disse o capitão da equipe.Mas o próprio Cafu ressaltou a qualidade do time dirigido por Parreira e mencionou a excelente fase por que passam os dois Ronaldos e Kaká. A maior dúvida da comissão técnica é quanto ao desempenho da zaga formada por Lúcio, do Bayer Leverkusen, e Roque Júnior, do Siena. Os dois não tiveram boas atuações nos últimos jogos da seleção e têm recebido críticas pela irregularidade apresentada nos clubes. Só estão entre os titulares por causa do excesso de critérios do treinador. O reserva Edmílson, do Lyon, ao contrário dos colegas, atravessa uma fase muito boa e pode, a qualquer momento, voltar a ocupar uma vaga no time.A aposta em Renato também reflete os métodos de trabalho de Parreira. Como o meia santista já atuou em duas partidas das eliminatórias e foi titular no empate por 3 a 3 com o Uruguai, a intenção do técnico é a de, sempre que possível, dar uma nova oportunidade ao jogador. "Ele marca bem, conduz bem a bola e sabe armar um contra-ataque", disse Parreira.Animosidade - O assédio do público ao hotel da seleção brasileira em Assunção estava tranqüilo até esta terça-feira, com poucos torcedores em busca de autógrafos ou foto ao lado dos jogadores. Mas, a segurança do time foi reforçada e até um cordão de isolamento foi estendido no saguão do hotel. Os policiais que dão proteção a seleção estão até impedindo que os fãs fotografem de longe seus ídolos.

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 09h25

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