OSCAR DEL POZO / AFP
OSCAR DEL POZO / AFP
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Brasil perde a chance de ter seu próprio Real Madrid

Futebol brasileiro tem todos os ingredientes do elenco espanhol campeão da Europa

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 05h00

O futebol brasileiro poderia ter seu Real Madrid. E não tem por responsabilidade de dirigentes, torcida e dos próprios jogadores. Esqueça por alguns instantes os altos salários pagos pelos clubes europeus. Pense na estrutura do time espanhol vencedor da Liga dos Campeões diante do Liverpool.

O primeiro ponto que chama a atenção é que o Real Madrid é comandado por um treinador com mais de 60 anos e estilo paizão, apaziguador de vestiário e querido pelo elenco. O Brasil está cheio de ‘Carlos Ancelottis”, que por alguns motivos deixaram de acreditar e de fazer bons trabalhos. Logo, foram carimbados de treinadores ultrapassados. O italiano dos merengues provou na temporada que idade não quer dizer nada, ou melhor, diz positivamente pelas experiências vividas. O segredo é se motivar e tentar ser melhor sempre, abrir mão de condutas superadas e trabalhar o futebol com novos paradigmas.

O segundo ponto do Real Madrid a chamar a atenção diz respeito ao elenco com alguns moleques ainda em fase de crescimento. Isso o Brasil tem de monte. Praticamente todos os times do futebol nacional, de tempos para cá, apostam pesado nas bases. O problema daqui é que o resultado do garoto tem de ser imediato. Vinícius Júnior, o herói da 14.ª, desembarcou em Madri em 2018. Portanto, vive sua quarta temporada. Já bateu a cara na porta, teve de superar a desconfiança da torcida e de alguns companheiros, como Benzema, para só depois brilhar e entrar para a história do Madrid. No Brasil, não se tem paciência para esperar o menino amadurecer, deixá-lo errar e aprender.

Os próprios jogadores brasileiros se emendam e aprendem mais sobre responsabilidades e a profissão na Europa. Sabem que não terão segundas chances se aprontarem. Andam na linha ou vão embora.

Em campo, são ensinados a jogar em pé, a não reclamar rispidamente com a arbitragem nem a se esborrachar no chão ou simular agressão e contusão em todas as divididas, na contramão do que a maioria anda fazendo no Brasil. Os atletas mais experientes não são condenados. Aguardam suas oportunidades e nunca desistem, como fez Benzema. No futebol brasileiro, muitos se encostam ou pedem para sair.

A torcida espanhola é tão apaixonada quanto a brasileiro. Há cobranças. No futebol daqui, principalmente nesta temporada, as cobranças mudaram de patamar e avançaram o sinal vermelho, partindo para agressões, emboscadas contra delegações e até pressão psicológica, como a que o goleiro Cássio, do Corinthians, recebeu de um maluco que mandou uma imagem da camisa do time com um revólver em cima dela. Felizmente, nada aconteceu com o goleiro alvinegro e o cidadão em questão se apresentou à polícia. E as gestões trabalham seus elencos o tempo todo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.