Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Brasil repete 2011 e perde nos pênaltis para o Paraguai nas quartas

Seleção cede igualdade e acaba levando 4 a 3 nas cobranças

GONÇALO JUNIOR, ENVIADO ESPECIAL A SANTIAGO, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 20h57

Não foi na Copa América que a seleção brasileira diminuiu o peso do vexame da Copa do Mundo. O Brasil perdeu para o Paraguai na decisão por pênaltis por 4 a 3 no primeiro jogo eliminatório após o Mundial. A exemplo da Copa América de 2011, foi derrotado pelo time paraguaio com um desempenho ruim nas penalidades. Éverton Ribeiro e Douglas Costa chutaram para fora.

A equipe sentiu falta de Neymar, suspenso da Copa América, principalmente no segundo tempo, quando o time precisava de criatividade. Também pesou a falta de experiência do grupo – a maioria disputa sua primeira Copa América. A equipe vai tentar se reconstruir nas eliminatórias para 2018.

Ao longo da semana, Dunga deixou no ar que poderia fazer mudanças para sublimar os pontos do Brasil e neutralizar os do adversário. A escalação foi a mesma da vitória sobre a Venezuela, mas o técnico mudou a posição de suas peças. Robinho jogou centralizado, como armador de verdade, Coutinho ficou mais próximo de Firmino, que seria a referência. Elias teve mais liberdade para chegar de surpresa ao ataque. Deu jogo.

Na primeira jogada organizada, aos 14, Daniel Alves cruzou, Firmino desviou e Robinho marcou. Em três toques, o Brasil aproveitou a falha coletiva da experiente zaga paraguaia, especialmente Cáceres e Aranga, e começou a fazer pender para si uma balança que até então estava equilibrada, nem para lá nem para cá. No lance, funcionou a nova estratégia de Dunga. 

O gol, no entanto, foi um ponto fora da curva de um jogo morno, trancado no meio e marcado mais pelos erros do que por acertos de passes. Nesse cenário, o lindo chapéu que Coutinho deu em Bruno Valdez, logo depois do gol, merece negrito. O lance não deu em anda, ele perdeu a bola depois, mas foi um ponto de talento em um jogo marcado por caneladas e divididas. Com esses e outros bons lances, Coutinho apagou a má impressão da última partida.

A equipe brasileira tinha problemas na defesa. Fernandinho dava espaços e perdia a maioria dos lances, principalmente aquela segunda bola, resultado de um chutão ou dividida. Jefferson também se mostrou inseguro, e isso contaminou a defesa inteira. A temida bola aérea do Paraguai, pisada e repisada ao longo da semana, também deu dores de cabeça. Não havia consistência na zaga.

Isso ficou claro no começo do segundo tempo quando os laterais do Paraguai começaram a aparecer. O time saía em bloco como se todas as peças de jogo de dama avançassem de uma vez só para encurralar o rival.

Aí, surgiu a bola aérea que Dunga tanto temia. A primeira, de Roque Santa Cruz, passou por cima. Na segunda, Jefferson fez uma defesa difícil após cabeçada de Paulo da Silva. Na terceira, Thiago Silva tocou a mão na bola em uma disputa pelo alto. Foi um lance muito parecido com uma partida do PSG na qual ele subiu para cabecear com os braços abertos. Aos 26, Gonzáles empatou em cobrança de pênalti.

Antes do gol, Dunga havia tentado fazer o time retomar o leme da partida com duas alterações. Tirou Willian, mais apagado que na última partida, para colocar Douglas Costa. Também tentou Tardelli no lugar no inoperante Firmino. O time teve algumas chances para o contragolpe, mas concluiu pouco.

Pesou, no entanto, a falta de experiência do Brasil para colocar a bola no chão. Aos 41, Dunga tirou o mais experiente do time – Robinho – para colocar Éverton Ribeiro, pensando na cobrança de pênaltis. Ironicamente foi um dos que falharam na hora decisiva.

FICHA TÉCNICA:

BRASIL 1 (3) X (4) 1 PARAGUAI

BRASIL - Jefferson; Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Fernandinho, Elias, Philippe Coutinho e Willian (Douglas Costa); Robinho (Éverton Ribeiro) e Firmino (Diego Tardelli). Técnico: Dunga.

PARAGUAI - Villar; Bruno Valdez, Paulo da Silva e Pablo Aguilar; Iván Piris, Aranda (Osvaldo Martínez), Victor Cáceres, Derlis González e Edgar Benítez (Óscar Romero); Haedo Valdez (Raúl Bobadilla) e Roque Santa Cruz. Técnico: Ramón Díaz.

GOLS - Robinho, aos 15 minutos do primeiro tempo, e Derlis González, aos 25 do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS - Valdez, Aguilar e Martínez (Paraguai) e Daniel Alves e Philippe Coutinho (Brasil)

ÁRBITRO - Andrés Cunha (Uruguai)

LOCAL - Estádio Municipal Alcaldesa Ester Roa Rebolledo, Concepción (Chile)

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