Brasil quer vencer para ter tranqüilidade

Uma vitória amanhã do Brasil sobre o Equador, pela segunda rodada das eliminatórias do Mundial de 2006, pode ser um forte indício de que a seleção brasileira não viverá o mesmo tormento de 2000 e 2001, período em que teve quatro técnicos, em função dos maus resultados sobretudo no torneio que a classificou para a disputa da Copa do Japão e Coréia do Sul. O jogo começa às 21 horas (22 horas, de Brasília), e será disputado no Vivaldão, em Manaus, diante de mais de 35 mil pessoas. Durante os últimos dias, o assunto foi abordado por vários jogadores. Eles querem evitar o sofrimento das duas últimas eliminatórias e a incerteza, então vigente, sobre quem comandaria a equipe na partida seguinte. "Fazer logo seis pontos em dois jogos vai dar tranqüilidade", disse Ronaldinho Gaúcho, que volta à equipe após cumprir suspensão de uma partida e atuará em sistema de revezamento com Rivaldo, entre o meio e o ataque. "Não podemos dar motivo para instabilidades", comentou o lateral Roberto Carlos. Ele completou 100 jogos com a camisa da seleção contra a Colômbia e agora quer alcançar Cafu, com 122 partidas. "Todo mundo quer bater recorde aqui na seleção. E eu quero passar o Cafu. Mas só devo me aproximar dele depois do Mundial de 2006. Até lá é todo mundo junto." O lateral do Real Madrid acredita que a presença de Ronaldinho Gaúcho, um jogador que atua mais pelo lado direito, vai facilitar o desempenho de Cafu. O técnico Carlos Alberto Parreira fez mistério até o último instante. Não quis revelar quem deixaria o time para dar vez a Ronaldinho Gaúcho. Mas a mudança era óbvia: Alex será o substituído. Kaká está cotado para entrar no segundo tempo, assim como Luís Fabiano. Vai depender do desenrolar do jogo. Parreira torce para que o Brasil saia logo na frente e obrigue o Equador a se soltar, a abrir mão da forte retranca prevista. Pelas informações obtidas com os "olheiros" da seleção, Parreira espera que o Equador jogue em busca de um empate e, por isso, se feche totalmente. Desta forma, admite que a partida terá um excesso de toques de bola do Brasil no meio, com insistência em tabelas e em jogadas individuais que resultem em situações de gol. "Não dá para atuar em velocidade quando o adversário não dá espaço. Então, temos de buscar alternativas e a principal delas é o talento, a habilidade, a alta criatividade do jogador brasileiro", declarou Parreira. Para o meia Emerson, o calor da torcida do Amazonas pode surtir efeito e assustar os visitantes. Ele deve atuar mais na retaguarda, permitindo que Gilberto Silva avance algumas vezes. Zé Roberto desta vez terá liberdade para chegar ao ataque com freqüência, enquanto Ronaldo recebeu apenas uma orientação do treinador: se posicionar entre os zagueiros na reposição de bola do Equador, a fim de tentar interceptá-la. A delegação do Brasil deixa Manaus logo após a partida, em vôo fretado da Varig. A chegada no Rio está prevista para quinta-feira, às 4h40 e, em São Paulo, às 5h45. Dos que atuam no exterior, alguns viajam no mesmo dia para a Europa. Hoje à noite a seleção voltou a treinar no Vivaldão, diante de 35 mil pessoas, que pagaram R$ 3,00 cada um para ver o rachão antes do jogo de amanhã. A renda foi doada para a APAE. O Brasil jogará com Dida; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Emerson, Zé Roberto e Ronaldinho Gaúcho; Ronaldo e Rivaldo. O juiz será Luiz Vladimir Solorzano (Venezuela).

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