Marcos Mendes/Estadão
Marcos Mendes/Estadão

Brasil se reafirma como favorito

Tirando os destaques individuais, há que elogiar a estrutura coletiva da equipe montada por Tite

Luiz Zanin Oricchio*, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 04h00

Além de comemorar a passagem para as quartas, o torcedor brasileiro pode se alegrar com uma seleção mais consistente a cada jogo. “Consistência” é a palavra que substitui o “show” das seleções de outrora. Com a vitória, o Brasil se reafirma como um dos favoritos ao título. Não se trata de ser (totalmente) ufanista. Pelo contrário. Durante cerca de 25 minutos, o Brasil tomou sufoco do México. Foi uma surpresa. Quem supunha o time asteca na defesa o tempo todo, jogando por uma bola, via uma equipe agressiva, partindo para cima, usando marcação alta e tentando ameaçar o gol de Alisson. Não chegaram lá, é verdade, e o goleiro não teve de fazer nenhuma grande defesa. Mas os mexicanos rondavam a área brasileira e com perigo. O Brasil não conseguia contra-atacar e ficava muito preso em seu campo.

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Aos poucos, porém, a seleção foi igualando o jogo e passou ameaçar a meta de Ochoa. O placar igual até o intervalo refletiu o que se viu em campo: o domínio alternado de uma e outra seleção em mais ou menos metade do tempo. Jogo parelho.

No segundo tempo, o Brasil assumiu o comando. Começaram a aparecer os talentos individuais, como Willian, que andou contestado, Coutinho, que mesmo sem ter brilhado foi eficaz, e Neymar, que marcou o primeiro em bola rolada de Willian e deu o passe para segundo, de Firmino.

Neymar deve ser destacado. Depois de polêmicas fúteis sobre a cor do cabelo e penteados, mostrou a dimensão na qual deve ser avaliado: a de um excepcional jogador de futebol, capaz de entortar defesas sólidas e desequilibrar jogos. Com outros gigantes de volta à casa, como Messi e Cristiano Ronaldo em particular, tem caminho aberto para ser o nome desta Copa. Depende dele manter a seriedade destas duas últimas partidas. Usar seu amplo repertório técnico em favor do coletivo. Precisa ser sério, sem perder o lado brincalhão. Futebol é jogo, não linha de montagem. Deve haver espaço para a criação, para o lúdico e até para a brincadeira, por que não?

 

Os méritos pela vitória devem ser distribuídos igualmente pelo sistema defensivo. Thiago Silva e Miranda foram impecáveis no meio da zaga. Thiago, em particular, mostra a solidez que dele se espera. Teve razão Tite em prestigiá-lo na Rússia e fazê-lo capitão para esta partida também.

Tirando os destaques individuais (sem os quais não existe grande time), há que elogiar a estrutura coletiva da equipe montada por Tite. Se ainda não enfrentaram um verdadeiro bicho-papão, os brasileiros tiveram 25 minutos de calor diante do México, no qual provaram que “sabem sofrer”, segundo a divertida expressão atribuída ao técnico e hoje comentarista Muricy Ramalho. Saber sofrer significa aceitar que se está em temporária condição de inferioridade, não perder a cabeça e tentar reverter a situação.

Venha agora a Bélgica, que suou sangue para passar pelo Japão por 3 a 2 depois de estar perdendo por 0 a 2. Os belgas mostram toque de bola dos mais agradáveis (e efetivo), mas parecem vulneráveis na defesa. Não têm o equilíbrio da seleção de Tite. O Brasil é favorito. Mas deve sofrer.

*REPÓRTER E CRÍTICO DO ‘ESTADÃO’

 

 

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