Wilton Junior / Estadão Conteúdo
Wilton Junior / Estadão Conteúdo
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Brasil será zebra na Copa do Mundo do Catar

Seleção de Tite tem uma bala de prata para cada uma das 7 partidas do Mundial: Neymar

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2021 | 23h00

A seleção brasileira não deve ter dificuldades para se garantir nesta segunda na final da Copa América, que não queria no País, em jogo diante do Peru. Muito menos de confirmar a primeira colocação nas Eliminatórias Sul-americanas na sequência das rodadas e, assim, se credenciar para mais um Mundial de futebol. É o único time do mundo a participar de todas as edições da Fifa desde 1930. Mesmo assim, o Brasil é zebra na Copa do Mundo do Catar, no ano que vem.

Depois de acompanhar algumas seleções da Europa na Eurocopa e de ver outras tantas na Copa América, inclusive o time de Tite, a seleção tem uma bala de prata para cada uma das sete partidas que precisaria fazer para chegar à decisão e festejar o que seria seu sexto título. O Brasil também é o único país do planeta a ter conquistado cinco vezes a competição.

Essa bala de prata se chama Neymar. Se o craque do Paris Saint-Germain estiver a fim, concentrado, com seu cabeleireiro na concentração, e tudo mais o que envolve suas manhas e manias, o Brasil poderá sonhar. Caso contrário, como ocorreu em 2014, quando ele se machucou diante da Colômbia e não voltou mais, e em 2018, quando não estava em suas melhores condições e ainda foi cobrado pelo torcedor com uma série de memes de ‘cai-cai’, a equipe terá novamente dificuldades.

“Eu vi tudo isso e entrei na brincadeira. Meu futebol é de drible e os rivais não vão me deixar passar. Eu tentei jogar para o time. E tinha de ser mais individualista. Minhas costas são bem largas. Levei na boa. Eu não quero ficar sofrendo falta, mas dói e machuca”, disse Neymar à época. Durante a competição na Rússia, rolar no gramado virou brincadeira mundial nas redes.

Cinco anos depois, quando o Brasil estiver no Catar, Neymar vestirá a camisa 10 numa outra situação. A felicidade de 220 milhões de brasileiros estará nos seus pés, amarrados ao seu talento e mimos, gostem ou não todos aqueles que o criticaram nos últimos anos, como eu fiz em muitas ocasiões de jogo.

Tite sabe disso. O treinador deu conforto a ele na pior fase, após a eliminação do Brasil na Copa da Rússia. Jura que também cobrou seriedade. Como todos nós, Tite acompanhou as partidas da Eurocopa e constatou o que já sabia: há seleções muito fortes no Velho Continente, com times sendo montados em grande estilo, e alguns outros mais bem preparados, com jogadores acima da média, bem fisicamente e excelentes na condição tática. São todos bem treinados e com estilo de jogo mais rápido do que o praticado na América do Sul. 

Lá, houve avanço em todos os processos de formação de uma seleção, mesmo a despeito de menos ginga e invenção dentro de campo. A condição financeira propiciou muito disso, não há dúvidas, é fez nascer um abismo entre os dois continentes no futebol.

No Brasil, Neymar seria o único capaz de encurtar essa distância com sua genialidade, assim como a Argentina em relação a Lionel Messi.

Ambos são os únicos em condições de fazer os europeus se dobrarem. Tanto Brasil quanto Argentina têm bons e competentes elencos, todos eles dignos de jogarem nos grandes times da Europa, mas ainda assim em seleções fracas no conjunto, sem dribles e de menor velocidade em qualquer distribuição tática.

Futebol não é, nem nunca será, uma equação exata. Há uma série de detalhes, como gostam de pontuar os treinadores, capazes de mudar a história de um jogo. É verdade. Mas de 2002 para cá, quando o Brasil foi penta, só seleções da Europa ganharam Copas: 2006, a Itália; 2010, a Espanha; 2014, a Alemanha (queria esquecer); e 2018, a França.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.