Brasil tenta ir hoje à final da Copa Ouro

Os meninos da Seleção Sub-23 fazem nesta quarta-feira (21h, horário de Brasília) seu jogo mais importante desde que Ricardo Gomes assumiu o comando da equipe, no início do ano. O time enfrentará os Estados Unidos na primeira semifinal da Copa Ouro - a segunda será amanhã, entre México e Costa Rica - no Estádio Orange Bowl. Se ganhar, além de chegar à final, estará fazendo um favor para a Seleção Principal ao somar pontos para o ranking da Fifa, em que a França encostou no Brasil depois da Copa das Confederações. Em caso de empate no tempo normal haverá prorrogação com morte súbita e, se necessário, a vaga será decidida nos pênaltis. O técnico Ricardo Gomes reconhece que o adversário tem a vantagem de jogar junto há mais tempo - muitos jogadores norte-americanos estiveram na Copa do Mundo e também na Copa das Confederações -, mas, como sempre, confia muito nos seus meninos. "Quase todos os nossos jogadores são titulares em grandes clubes brasileiros, o que é uma vantagem muito grande. Eles criam muito cedo o hábito de disputar jogos importantes e enfrentar pressão. Com os norte-americanos isso não acontece. O campeonato deles é fraco e os jogadores que atuam no exterior não defendem clubes do porte dos que contratam brasileiros." Outra vantagem que Ricardo vê para o time brasileiro é o fato de ter enfrentado adversários mais duros na competição. Enquanto o Brasil já encarou o México no Estádio Azteca, debaixo do sol do meio-dia, e com 2.300m de altitude nas costas, e também a Colômbia, que trouxe vários jogadores que deverão disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, os norte-americanos passearam contra El Salvador, Martinica e Cuba. "Uma coisa é o que você consegue fazer contra um time fraco, outra é como reage quando tem pela frente uma equipe mais forte. Os Estados Unidos estão muito bem até agora, mas ainda não foram exigidos. Quero ver se contra nós eles vão fazer bem tudo o que fizeram nos jogos anteriores. Do nosso lado é o contrário. Fizemos um jogo muito bom contra um adversário de nível como a Colômbia e isso nos dá confiança para jogar contra eles." Uma das armas da Seleção será a capacidade de improvisação dos jogadores brasileiros. Ricardo Gomes tem certeza de que a comissão técnica norte-americana já estudou a fundo toda a movimentação ofensiva do Brasil e, como o tempo para mudar alguma coisa nos treinamentos é curto (o time só treinou hoje e segunda-feira), aposta na criatividade e no talento de seus jogadores. "Eles já devem ter mapeado todo o nosso time, porque uma característica dos times norte-americanos, em qualquer modalidade, é a força da defesa. Mas não tem ´defense´ que resista a uma grande jogada", disse, numa alusão ao grito ´defense´ que as torcidas entoam na NBA."Nossos jogadores são inteligentes e saberão descobrir em campo um ponto fraco na defesa deles. Pode ser numa bola longa, numa tabela curta, numa jogada individual... Vou incentivá-los a arriscar, porque o talento deles pode desmanchar o sistema defensivo dos Estados Unidos." Na defesa brasileira, a preocupação de Ricardo Gomes é acertar a marcação pelo lado esquerdo, com Adriano, Alex e Paulo Almeida. Ele achou que a Colômbia teve muito espaço para jogar nas costas do lateral do Coritiba no primeiro tempo da partida de sábado. "Do mesmo modo que estudaram o nosso ataque, os norte-americanos devem ter estudado a nossa defesa e visto aquele problema. Com certeza vão tentar atacar por ali, por isso precisamos corrigir a marcação daquele lado."

Agencia Estado,

23 de julho de 2003 | 11h35

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