Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Brasil terá apoio dos torcedores chilenos em duelo com o Paraguai

Anfitriões apoiam seleção mesmo sem a presença de Neymar

ALMIR LEITE E GONÇALO JUNIOR, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2015 | 16h53

A cor vermelha vai predominar sobre a verde e a amarela nas arquibancadas do Ester Roa, neste sábado, no duelo entre Brasil e Paraguai, pelas quartas de final da Copa América. Mas nem por isso faltará apoio à seleção brasileira. Muitos chilenos que estão no estádio, vieram especialmente para ver o time de Dunga contra o Paraguai, apesar da ausência de Neymar e de a atual equipe não empolgar. Mas a mística do futebol brasileiro fez com que aproveitassem a oportunidade.

É o caso do adolescente Tomas Rossales e de seu amigo, Cristóbal Sambueza, ambos de 14 anos. Vestindo a camisa do Chile, mas com uma grande bandeira do Brasil cobrindo a maior parte do corpo, Tomas disse ter comprado ingresso há dois meses, diante a perspectiva de ter a seleção na cidade em que nasceu.

"Eu calculei que o Brasil ganharia o seu grupo e viria jogar aqui. Pena que não vai ter o Neymar, mas ainda assim vale a pena", disse Tomas, enquanto esperava para entrar no estádio em uma fila que estava grande, mas fluía com rapidez, apesar da revista feita pelos policiais. "Vai ser a primeira vez que eu vou ver o Brasil jogar no estádio, só por isso já vale", acrescentou Cristóbal.

Os estudantes Catalina e Nicolas Bustamante desenvolveram a paixão pelo Brasil - mais pelo país do que pelo futebol, diga-se - no ano passado, quando fizeram um longo tour pelo País. Conheceram, entre outras cidades, São Paulo, Caraguatatuba, Vitória (ES), Vila Velha e Rio. "Gostei do Brasil, é muito interessante. As pessoas são legais e as praias bonitas", definiu Catalina.

Nicolas, torcedor do Huachipato, assim como os garotos Tomas e Cristóbal, tem motivos mais futebolísticos para gostar do Brasil. "No Rio passei a gostar do Fluminense, a torcer, e tenho até camisa do time." A camisa é a 9, de Fred, seu jogador preferido.

Ele também lamentou a ausência de Neymar, assim como outro morador de Concepción que está no estádio para ver o Brasil jogar. "Sem Neymar a seleção de vocês se torna um time comum. Fica mais difícil ganhar uma partida."

Ainda assim, o Paraguai pode ter uma torcida superior numericamente esta noite no Ester Roa. Além de sua própria "hinchada", há muitos chilenos que simpatizam com a equipe paraguaia.

OBRAS E SEGURANÇA

Brasil e Paraguai vão mesmo jogar com o estádio inacabado. Há três horas no início da partida, do lado interno operários ainda faziam ajustes em instalações elétricas e até mesmo em alguns acessos do público.

Do lado externo, não havia obras. Mas pelo fato de eles terem sido paralisadas por causa do acesso do público. Assim, por volta das 16 horas era possível ver, por exemplo, dois montes de areia ao lado de uma das entradas do estádio. A areia deverá ser utilizada para a construção de uma calçada.

Mas segurança não faltou. Pela primeira vez nesta Copa América, a reportagem constatou policiais agindo de maneira mais ostensiva. Há revista nos torcedores e mesmo no material utilizado por profissionais de imprensa (como ocorre normalmente em eventos como Copa do Mundo).

Para ter acesso ao centro de imprensa, por exemplo, os jornalistas passavam por duas conferência de passaporte e credencial. Nos outros estádios, isso não ocorreu. Apenas os voluntários checavam, às vezes, as credenciais.

De acordo com um voluntário que trabalha no apoio à organização em Concepción, foi do comandante do policiamento da cidade, general Soto, a decisão de fazer um trabalho ostensivo de segurança, por dois motivos principais: para mostrar que a cidade está preparada par garantir a segurança de seus cidadãos e visitantes e também para já ir treinando sua tropa para receber os torcedores argentinos.

Eles devem "invadir" Concepcíon para o jogo de terça-feira pelas semifinais da Copa América - na manhã deste sábado, alguns grupos de argentinos já foram vistos circulando pelo centro da cidade. E há o temor de confusão e brigas, principalmente por causa do risco da presença de barras bravas.

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