Brasil vai pagar R$ 20 milhões para se expor e fazer negócios

Tratado como um dos patrocinadores, Governo terá de investir para receber clientes nas instalações da Copa

Jamil Chade - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2013 | 07h59

RIO - Numa inversão de papéis, a Fifa exige que o Brasil pague para promover sua própria economia e suas exportações para os investidores estrangeiros durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.

 

Para que possa fazer negócios nas instalações da Copa e levar seus clientes estrangeiros aos jogos, o governo foi obrigado a se transformar em patrocinador do evento, em um acordo entre a Agência de Promoção de Exportações (Apex) e a Fifa. O acordo ainda permitirá que a agência distribua cerca de mil ingressos para jogos para empresários estrangeiros.

 

Por ser um acordo que a Fifa mantém em sigilo, o montante que a Apex pagou à entidade para usar os próprios estádios erguidos com empréstimos do BNDES como locais de promoção do Brasil não é divulgado, mesmo que se trate de dinheiro público. O Estado apurou, porém, que o valor teria chegado a quase R$ 20 milhões. A Apex reconhece que é a Fifa que impede a divulgação dos valores.

 

O governo recebeu o mesmo tratamento que qualquer empresa privada interessada em se vincular ao torneio, com a possibilidade de usar as marcas da Copa com exclusividade, como a Garoto e o Banco Itaú. Outra regalia é o acesso a um determinado número de ingressos em posições privilegiadas dos estádios.

 

Por conta do acordo assinado em novembro, a Apex, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pretende usar os espaços para seduzir empresários estrangeiros e fechar negócios.

"Não há como organizar uma ação sem ter o status de patrocinador da Fifa", reconheceu Ricardo Santana, coordenador do projetos da Apex.

 

RETORNO

 

Embora admita o ineditismo da ação em uma competição como a Copa das Confederações, a Fifa acredita em um grande retorno. A estimativa do próprio governo é de que esses contratos superem US$ 1,1 bilhão (R$ 2,36 bilhões). Quase mil empresários visitarão companhias brasileiras e participarão de rodadas de negócios.

 

A Apex já realizou ações parecidas nas corridas da Fórmula Indy e também no Carnaval, ambas com sucesso. "A Copa das Confederações será um termômetro do que irá ocorrer na Copa de 2014", apontou Santana. Para ele, a meta é de que os negócios fechados entre cerca de 60 setores sejam superiores aos obtidos na Indy.

 

Se o governo teve de arcar com um pagamento à Fifa, coube ao setor privado brasileiro selecionar os convidados para os jogos, tendo em vista os acordos com mais chances de assinatura. As entidades privadas ainda pagarão pela passagem dos convidados. No dia anterior ao jogo, o governo bancará hospedagem, transporte e alimentação dos empresários.

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