Brasil vence de virada e é tri na Copa das Confederações

A seleção brasileira sofreu, chegou a ficar em desvantagem de dois gols, mas venceu os Estados Unidos por 3 a 2, e conquistou o tricampeonato da Copa das Confederações. Neste domingo, no Estádio Ellis Park, em Johannesburgo, a equipe comandada por Dunga conseguiu coroar com uma reação impressionante a boa campanha na África do Sul. Foram cinco jogos, com 100% de aproveitamento.

AE, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 17h44

Os heróis da conquista foram Luís Fabiano, autor dos dois primeiros gols da equipe, e o zagueiro Lúcio, que marcou o terceiro. Com o desempenho, o atacante tornou-se o artilheiro da competição e cumpriu a promessa de fechar a competição com média de um gol por jogo.

A taça conquistada em solo sul-africano e erguida pelo capitão Lúcio junta-se às de 1997, na Arábia Saudita, e de 2005, na Alemanha. Agora, o desafio da seleção brasileira é quebrar uma escrita: jamais o campeão da Copa das Confederações repetiu o êxito no Mundial seguinte.

O Brasil chegou à decisão deste domingo como favorito absoluto. Para a final, o técnico Dunga manteve a mesma equipe que entrou em campo na vitória por 1 a 0 sobre a África do Sul, na quinta-feira.

Já os Estados Unidos entraram no Estádio Ellis Park como grande surpresa do torneio. Depois de conseguirem classificação na primeira fase no saldo de gols - em parte devido aos 3 a 0 do Brasil sobre a Itália -, os norte-americanos eliminaram a Espanha com vitória por 2 a 0 na semifinal.

A seu favor, os brasileiros tinham a lembrança do confronto entre as duas seleções ainda na fase de grupos. Na segunda rodada, o Brasil venceu por 3 a 0, na pior atuação dos norte-americanos em toda a competição.

A seleção brasileira começou a partida deste domingo mais presente no ataque, e tentando abrir o placar em cruzamentos na área. A primeira boa chance aconteceu aos 6 minutos, quando Kaká tentou de cabeça após cobrança de escanteio, mas a bola foi para fora.

Mas aos 9 minutos, em sua primeira chegada ao ataque, a seleção norte-americana abriu o placar. Depois de cruzamento de Spector pela direita, o meio-campista Dempsey desviou com um leve toque de pé direito, enganando o goleiro Júlio César.

Em desvantagem, os brasileiros tiveram de sair mais para o jogo. A primeira boa chance de empate aconteceu aos 12 minutos, com Robinho. O atacante avançou pela esquerda e chutou cruzado para boa defesa do goleiro Howard.

Embora estivesse com maior posse de bola e dominasse as ações, a equipe não conseguia o empate. Nas tentativas de buscar o gol, a seleção abusava dos cruzamentos para a área - sem sucesso - e errava passes na entrada da área, permitindo perigosos contra-ataques do rival.

Foi em um desses erros de passe que os norte-americanos começaram a construir o segundo gol. Aos 26 minutos, após vacilo brasileiro no ataque, a seleção dos Estados Unidos puxou contra-ataque com Landon Donovan. Ele achou Dempsey pela esquerda, e recebeu de volta na entrada da área. Donovan parou a bola, tirou Ramires da jogada, e chutou na saída de Júlio César para fazer 2 a 0.

Logo depois de sofrer o gol, o brasileiros mostraram-se nervosos em campo. A seleção, apática, parecia sem chances de reagir na partida. Aos 34 minutos, a equipe voltou a entrar no jogo depois que André Santos quase marcou após avançar pela esquerda. O goleiro Howard voltou a fazer boa defesa.

Nos minutos finais do primeiro tempo, a seleção brasileira manteve-se dominante, mas não conseguiu marcar. Robinho parou novamente nas mãos de Howard; Maicon e Felipe Melo tentaram de fora da área, mas não acertaram o alvo. No último lance da etapa, Maicon cruzou pela direita e Luís Fabiano quase marcou.

A seleção brasileira voltou para o segundo tempo sabendo que precisava marcar logo para manter boas chances na partida. E logo no primeiro lance, a equipe diminuiu a vantagem do rival. Depois de tabela entre Maicon e Ramires, Luís Fabiano recebeu e girou para chutar - a bola passou por DeMerit e entrou à esquerda do goleiro Howard. Foi o quarto gol do atacante brasileiro, que assumiu a liderança na artilharia do torneio.

Depois do gol, o Brasil passou a jogar melhor e a criar boas chances para chegar ao empate. Aos 13 minutos, Lúcio tentou de cabeça após cobrança de escanteio e esbarrou mais uma vez no goleiro Howard. No rebote, Gilberto Silva chutou por cima do gol.

Dois minutos depois, os brasileiros criaram nova chance pelo alto. Kaká cabeceou na segunda trave e a bola já havia passado da linha quando o goleiro Howard defendeu. O árbitro Martin Hansson e o auxiliar Henrik Andren não deram o gol.

O Brasil continuava melhor na partida e criou nova chance de marcar aos 25 minutos, novamente com Luís Fabiano. Depois de receber lançamento de Lúcio, ele chutou em cima do goleiro Howard.

Três minutos depois, o atacante não desperdiçou nova oportunidade e conseguiu empatar. Depois de grande jogada de Kaká pela esquerda, Robinho chutou na trave e Luís Fabiano, de cabeça, empurrou para as redes, sem chances para o arqueiro norte-americano.

A equipe dos Estados Unidos sentiu o gol de empate. Sem presença ofensiva, o time do técnico Bob Bradley passou a ser pressionado, e viu os brasileiros criarem boas chances. Aos 38 minutos, a pressão do Brasil transformou-se em mais um gol: depois de cobrança de escanteio de Elano, Lúcio subiu mais que a defesa e tocou de cabeça para marcar.

Nos minutos finais, os Estados Unidos tentaram o empate sobretudo com bolas alçadas na área. Mas a defesa brasileira, com Lúcio e Luisão, conseguiu afastar o perigo e garantir o terceiro título da seleção brasileira na Copa das Confederações.

Ficha Técnica:

Estados Unidos 2 x 3 Brasil

Estados Unidos - Howard; Spector, DeMerit, Onyewu e Bocanera; Dempsey, Feilhaber (Kjestan), Clark (Casey) e Donovan; Davies e Altidore (Bornstein). Técnico: Bob Bradley.

Brasil - Julio Cesar; Maicon, Luisão, Lúcio e André Santos (Daniel Alves); Gilberto Silva, Felipe Melo, Ramires (Elano) e Kaká; Robinho e Luis Fabiano. Técnico: Dunga.

Gols - Dempsey aos 9 e Donovan aos 26 do primeiro tempo; Luís Fabiano, a 1 e aos 28, Lúcio aos 38 do segundo tempo.

Cartões amarelos - Bocanegra; Felipe Melo, André Santos, Lúcio

Estádio - Ellis Park, em Johannesburgo (África do Sul)

Árbitro - Martin Hansson (Suécia)

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